Entenda como será a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã
Segundo Diego Pavão, ao Live CNN, o anúncio ocorre em meio a negociações com EUA, mas minas navais e possível cobrança de pedágio geram incertezas sobre segurança e fluxo de navios na região
O Irã anunciou nesta sexta-feira (17) a reabertura do Estreito de Ormuz durante o período de cessar-fogo que deve durar até a próxima terça-feira. A medida ocorre em um momento importante para as negociações entre o país e os Estados Unidos, mas ainda há incertezas sobre como funcionará na prática essa liberação da passagem marítima. A explicação é de Diego Pavão, editor de Internacional, ao Live CNN.
Segundo especialistas, a reabertura do estreito vale apenas enquanto durar o cessar-fogo, o que significa que, após terça-feira, a situação pode mudar novamente. Um dos principais problemas práticos envolve a segurança da região, já que o Irã deixou várias minas navais no local, e nem mesmo o próprio país sabe exatamente onde elas estão localizadas.
A comunidade internacional espera que os Estados Unidos ofereçam garantias de que as minas foram mapeadas e removidas, o que ainda não aconteceu. Essa incerteza gera apreensão entre empresas de navegação e seguradoras.
"No último caso, a decisão de passar ou não pelo Estreito de Ormuz vai das empresas que operam os navios e das seguradoras que vendem seguros para esses navios, porque, no fundo, essa é a questão: a seguraça do Estreito de Ormuz nesse momento", apontou Pavão.
Pedágio e impacto econômico
Outra questão preocupante é a possibilidade de cobrança de pedágio. Durante o conflito, o parlamento iraniano aprovou uma lei que estabeleceria uma taxa para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, chegando a valores de até dois milhões de dólares para embarcações não alinhadas ao Irã. Essa cobrança seria considerada ilegal segundo diretrizes da ONU desde 1994, que proíbem a imposição de pedágios em estreitos que sejam formações geológicas naturais.
"Esse anúncio do Irã não é uma super garantia de segurança de que um navio pode passar por ali sem ter grandes prejuízos, sem encontrar, por exemplo, uma mina naval ou sem ser cobrado pedágio", afirmou o editor.
Apesar das incertezas, o anúncio já teve um reflexo positivo no mercado, com queda de aproximadamente 12,86% na cotação do barril de petróleo. Atualmente, estima-se que cerca de dois mil navios estão parados no Estreito de Ormuz ou em suas proximidades, aguardando definições mais claras sobre as condições de segurança.
A decisão de reabrir o estreito ocorre em um momento estratégico nas negociações entre Irã e Estados Unidos, com o Estreito de Ormuz sendo um dos principais pontos de discordância entre as duas nações. As próximas horas serão decisivas para observar se haverá, de fato, um aumento no fluxo de navios pela região ou se as preocupações com segurança e possíveis cobranças manterão a cautela no setor de navegação internacional.


