Renner melhora margens com gestão de estoque e novos produtos, diz CEO
Investimentos em execução de moda e redução de itens antigos impulsionaram a rentabilidade e a geração de caixa da varejista
A Lojas Renner reportou lucro líquido de R$ 257,3 milhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma expansão de 16,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado superou as estimativas de analistas, que projetavam lucro de R$ 171 milhões para o período.
O ebitda ajustado da companhia somou R$ 610,5 milhões, crescimento de 4,3% na mesma base de comparação, também acima da projeção do mercado, que era de R$ 406 milhões. O indicador de vendas em mesmas lojas de varejo subiu 3,2%, enquanto no segmento de vestuário o acréscimo foi de 3,7%.
Melhoria operacional e margem bruta em alta
Fábio Faccio, CEO da empresa, atribuiu o desempenho positivo a investimentos contínuos no modelo de execução de moda.
"A gente fez investimentos importantes na evolução do nosso modelo de execução de moda, desde as capturas das tendências, a execução do time, o tempo do design, o tempo da produção, a integração com os nossos fornecedores", afirmou.
Segundo Faccio, esse processo permite desenvolver produtos em menor tempo, com maior precisão em relação à demanda das clientes, reduzindo desperdícios e aumentando a participação de produtos novos nas vendas.
O CEO destacou que o estoque total da companhia recuou 1% no trimestre, enquanto o estoque mais antigo — aquele normalmente sujeito a remarcações — caiu 15%.
"O aumento de participação de venda de produtos novos traz uma margem melhor, e a redução de produtos antigos traz essa margem maior", explicou. A geração de caixa também atingiu um recorde no primeiro trimestre, com redução do ciclo financeiro em oito dias.
Inteligência artificial integrada à operação
A companhia também destacou o uso crescente de inteligência artificial em diversas etapas do negócio. De acordo com Faccio, a tecnologia está presente na captura de tendências, na análise de desempenho de vendas, na distribuição de produtos por loja e cidade, e na operação do centro de distribuição.
"A inteligência artificial nos ajuda tanto a fazer a predição do que vender, do que distribuir para cada cidade, para cada loja, para cada unidade, em que tamanho", disse.
Na jornada do cliente, a Renner ampliou o uso do provador virtual — ferramenta que permite ao consumidor visualizar peças de vestuário em fotos — e passou a aplicar a tecnologia também em artigos de beleza. Segundo Faccio, a iniciativa melhora a experiência de compra e contribui para o aumento da conversão.
Expansão para cidades menores e plano de novas lojas
A companhia anunciou um plano ambicioso de expansão para 2026, com previsão de abertura de 50 a 60 novas lojas, o maior número de aberturas na história da empresa. A maioria das inaugurações está prevista para o segundo semestre, com concentração no final do ano. Até o momento da entrevista, oito unidades já haviam sido abertas no ano.
Faccio explicou que a estratégia inclui a entrada em cidades com cerca de 100 mil habitantes, onde a companhia identificou demanda relevante para seus produtos. Segundo ele, lojas abertas nessas praças têm apresentado rentabilidade acima da média, além de impulsionar as vendas online entre 10% e 20% nas respectivas regiões. "Estar mais próxima das clientes é muito importante para a gente, é muito importante para ela", afirmou.
Postura seletiva no crédito diante do endividamento das famílias
Questionado sobre o braço financeiro da companhia, a Realize, Faccio afirmou que a empresa mantém uma postura seletiva na concessão de crédito há mais de dois anos. Ele reconheceu que o endividamento das famílias brasileiras segue em trajetória crescente e classificou o cenário como "bastante desafiador". Ainda assim, a inadimplência da carteira da Renner vem recuando.
"Com o endividamento crescendo, a nossa inadimplência vem reduzindo. A gente vem com uma carteira bastante saudável", afirmou Faccio. Ele acrescentou que a seletividade no crédito protege tanto a empresa quanto os próprios clientes:
"Sendo seletivo, a gente ajuda a evitar um problema dos dois lados, porque ninguém gosta de ficar devendo e não poder pagar".


