Wall Street cai com incertezas sobre fim da guerra no Oriente Médio

O petróleo voltou a ser negociado acima de US$ 100, aumentando as preocupações com relação à inflação

Da CNN Brasil*
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Os principais índices acionários de Wall Street fecharam em queda nesta terça-feira (24), em meio às incertezas sobre o fim da guerra no Oriente Médio.

Os índices recuperaram certo terreno depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a repórteres que os EUA estavam conversando com "as pessoas certas" no Irã para chegar a um acordo para acabar com as hostilidades e que o Irã concordou que nunca terá armas nucleares.

Uma fonte iraniana também disse à CNN nesta terça (24) que houve "aproximação" entre os Estados Unidos e Teerã e que o Irã está disposto a ouvir propostas "sustentáveis" para pôr fim à guerra. "Houve aproximação entre os Estados Unidos e o Irã, iniciada por Washington, nos últimos dias, mas nada que tenha chegado ao nível de negociações plenas", compartilhou a fonte. "Mensagens foram recebidas por meio de vários intermediários para avaliar se um acordo para pôr fim à guerra pode ser alcançado", destacou.

Mas reportagens de que o Pentágono deve enviar milhares de soldados para o Oriente Médio causaram preocupações de que a guerra pode se arrastar e manter os preços do petróleo altos.

O presidente Donald Trump também declarou novamente vitória na guerra contra o Irã, ao mesmo tempo em que deixou aberta a possibilidade de novos ataques à infraestrutura energética do país caso as negociações para o fim do conflito fracassem.

Além disso, o Iraque ordenou uma resposta aos ataques de EUA e Israel contra forças apoiadas pelo Irã, aumentando o risco de um confronto mais amplo.

No cenário da economia nacional, a atividade empresarial dos Estados Unidos desacelerou para o nível mais baixo em 11 meses em março, conforme a guerra no Oriente Médio aumentou os preços de energia e de outros insumos, reforçando temores de uma aceleração da inflação nos próximos meses. A S&P Global informou nesta terça-feira (24) que o Índice de Gerentes de Compras (PMI) composto preliminar dos EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, recuou para 51,4 neste mês. Esse foi o nível mais baixo desde abril passado e seguiu-se a uma leitura de 51,9 em fevereiro.

O índice Dow Jones caiu 0,18%, a 46.124 pontos. O Nasdaq perdeu 0,84%, a 21.761 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,37%, a 6.556 pontos.

O petróleo também apresentou ganhos nesta terça (24). O petróleo Brent de junho subiu 4,49%, a US$ 100,23 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI (referência nos EUA) para maio fechou em alta de 4,79%, a US$ 92,35 o barril.

Os preços mais altos do petróleo aumentaram o nervosismo com relação à inflação e complicaram as perspectivas de taxas de juros para os bancos centrais. O Federal Reserve adotou um tom hawkish na semana passada, projetando apenas uma redução em 2026.

Os operadores não estão mais prevendo nenhum corte nas taxas este ano, em comparação com as duas reduções esperadas antes do início do conflito no Oriente Médio. As expectativas de aumento das taxas subiram em meio à escalada das tensões na semana passada e as apostas mais recentes eram de uma chance de mais de 30% de aumento até o final do ano, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.

E as preocupações com o crédito privado ressurgiram após um relatório indicar que a Ares Management limitou os resgates em 5% em seu fundo de crédito privado, assim como a Apollo Global Management, conforme os pedidos de saque aumentaram. As decisões das empresas refletem as tomadas pela BlackRock e pelo Morgan Stanley no início deste mês. As ações da Ares caíram 1%, enquanto as da Apollo subiram 0,7%. A Blackstone e a Carlyle caíram 1,25% e 0,85%, respectivamente.

*Com informações da CNN Internacional e da Reuters

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