XP vê dólar a R$ 5 e eleva previsão de juros em 2026 com efeitos da guerra
Para além do "choque externo relevante de energia", relatório Macro Mensal destaca "choque doméstico positivo de demanda, impulsionado por medidas fiscais e parafiscais"

A guerra segue mexendo com as previsões do mercado, e agora a XP vê um dólar menor, mas juros mais elevados ao final de 2026 com os reflexos do conflito.
A casa indica que as "perspectivas inflacionárias pioraram por fatores globais e domésticos", de modo que a "guerra desafia bancos centrais" pelo mundo.
Desse modo, a XP revisou para cima sua projeção para a taxa Selic ao final de 2026: de 12% em janeiro para 13,5% no mês passado e, agora em maio, 13,75%.
Para além do "choque externo relevante de energia", o relatório Macro Mensal aditantado com exclusividade ao CNN Money destaca "também um choque doméstico positivo de demanda, impulsionado por medidas fiscais e parafiscais".
"A atividade econômica e a inflação vêm ganhando tração desde o início do ano, pressionando para cima as expectativas de inflação para 2026, 2027 e 2028, que se afastam cada vez mais da meta", afirmam os analistas da casa.
"Diante desse cenário, é provável que o Banco Central ajuste sua trajetória de política monetária", pontuam.
Por outro lado, a XP aponta que o BC ainda possui espaço para seguir com alguns ajustes na política monetária uma vez que os juros reais estão "em patamar significativamente elevado".
Após dois cortes de 0,25 ponto em março e abril, a Selic se encontra hoje no patamar de 14,5% ao ano.
Apesar das últimas reduções, a taxa real - descontada a inflação dos juros básicos - do Brasil está em 9,33% ao ano, a segunda mais alta do mundo, segundo levantamento da Lev Intelligence e da MoneYou.
"A maior parte do processo de normalização monetária, contudo, deve ser postergada para 2027, condicionada a reformas que tornem a política fiscal mais equilibrada", acrescenta a XP.
Mas, pelo lado positivo, a casa ressalta que "a taxa de câmbio segue como um dos principais pilares da resiliência macroeconômica do país".
"Sustentada pela posição do Brasil como 'vencedor relativo' no atual contexto geopolítico e pela política monetária restritiva", a XP reduziu sua estimativa para o dólar ao final do ano, de R$ 5,30 para R$ 5.
"O real continua a se apreciar, mesmo em meio a uma recuperação parcial do dólar em nível global. [...] A demanda por ativos brasileiros permanece elevada, conforme evidenciado também por interações recentes com investidores durante as Reuniões de Primavera do FMI [Fundo Monetário Internacional]", escrevem os analistas da XP.
"Embora ainda esperemos alguma elevação do prêmio de risco brasileiro ao longo do período eleitoral, a melhora dos termos de troca e a perspectiva de um Banco Central mais conservador tendem a mitigar a volatilidade associada ao ciclo político", indagam.
Em janeiro, o mercado financeiro brasileiro registrou entrada líquida de R$ 26,31 bilhões em recursos estrangeiros. Porém, desde então, o indicador tem recuado refletindo os temores dos mercados sobre a imprevisibilidade para resolução dos conflitos no Oriente Médio.
Ainda assim, a XP avalia que o "Brasil segue visto como um vencedor relativo [no contexto do choque do conflito] por ser exportador de commodities diversificadas".
"Apesar do aumento da incerteza decorrente do conflito no Oriente Médio, o ambiente global tem se mostrado favorável aos ativos brasileiros. O real segue entre as moedas de melhor desempenho no ano, possivelmente refletindo sua condição de 'vencedor relativo' nesse contexto", diz o relatório.
"Julgamos que os fluxos globais robustos direcionados a mercados emergentes produtores de commodities, especialmente para o Brasil, tendem a mitigar esse efeito", conclui.


