Custo de fazer negócio no Brasil é desafio, diz especialista

País recua para 65ª posição em ranking de competividade entre 70 economias; formação de capital e baixa educação também são entraves

Da CNN Brasil
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O Brasil recuou sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral, passando a ocupar a 65ª colocação em uma lista de 70 economias.

O resultado representa o pior patamar do país nos últimos anos e acende um alerta sobre os desafios estruturais que freiam o avanço competitivo nacional.

Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, analisou os principais fatores que explicam a queda.

Entre os indicadores que mais chamam atenção no relatório, Hugo Tadeu destacou o elevado custo de se fazer negócios no Brasil.

"O custo de se fazer negócios no Brasil é cada vez mais alto e isso tem dificultado não só as indústrias, bem como também aquelas empresas nascentes", afirmou.

Outro ponto crítico é a formação bruta de capital fixo: indústrias que desejam investir para crescer encontram no custo de capital um fator limitante.

Além disso, o endividamento corporativo crescente também foi apontado como um sinal de alerta, indicando que as empresas têm recorrido cada vez mais a dívidas para sustentar suas agendas de crescimento.

Apesar dos resultados negativos, ele afirma que a leitura do relatório não deve ser feita com uma perspectiva de "terra arrasada", mas sim de forma propositiva, identificando o que o Brasil precisa fazer para avançar na agenda de competitividade.

 

Entraves na educação

Os indicadores educacionais também pesaram negativamente na avaliação. Hugo Tadeu ressaltou que, ao analisar a educação primária, secundária, o ensino superior e a educação executiva, "o Brasil está lá no último quartil".

Para ele, a educação precisa ser tratada como uma agenda relevante, com investimentos tanto do setor privado quanto do governo, especialmente em um momento em que inovação, tecnologia e inteligência artificial estão no centro das discussões globais sobre competitividade.

Questionado sobre se a queda reflete uma piora do Brasil ou um avanço dos demais países, Tadeu respondeu que ambos os fatores estão em jogo.

"Os países que figuram nas primeiras colocações têm feito um desempenho cada vez melhor", diz, apontando para investimento público e privado, inovação, tecnologia e formação de mão de obra, enquanto o Brasil "começou a andar um pouquinho de lado nesses pilares".

Como exemplo de referência positiva, Singapura foi citada por sua resiliência para novos negócios, bom marco regulatório e forte aposta em tecnologia e inteligência artificial.

Apesar do resultado negativo, Hugo Tadeu destacou que o Brasil possui vantagens comparativas relevantes, especialmente nas áreas de energia verde e soluções ligadas à pauta ESG.

O relatório da Fundação Dom Cabral aponta que o país está bem qualificado nesse segmento e sugere que, combinando boas práticas internacionais com o histórico de criação de indústrias relevantes — como o setor aeronáutico —, o Brasil tem potencial para melhorar sua posição nos rankings globais.

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