Comex Tech: IA ajuda no crescimento do comércio exterior
Evento reúne líderes do setor para debater o uso da inteligência artificial em meio a fretes mais caros e instabilidade geopolítica
A inteligência artificial já faz parte da rotina de quem trabalha com comércio exterior. É o que demonstrou a quarta edição do Comex Tech Forum, realizada no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O evento reuniu executivos e líderes do setor para debater os desafios e as oportunidades do uso da tecnologia em um cenário marcado por conflitos geopolíticos e encarecimento dos fretes marítimos.
A CNN Brasil esteve presente no evento com o CNN Cast, conversando com vozes influentes do setor sobre como a tecnologia tem transformado as operações no comércio exterior. A cada nova edição do fórum, a aplicação da inteligência artificial se consolida como um dos temas centrais das discussões.
Cenário geopolítico desafia o setor
O conflito entre Estados Unidos e Irã foi apontado como um dos fatores que levou ao encarecimento dos seguros e dos fretes marítimos, impactando diretamente a tomada de decisões no setor. Nesse contexto, a inteligência artificial surge não apenas como ferramenta de eficiência, mas como recurso estratégico para enfrentar mudanças bruscas nas cadeias globais de suprimento.
Um dos participantes do evento, Lars Karlsson, Diretor Global de Consultoria Comercial e Aduaneira na Maersk, defendeu que estamos diante do surgimento do que chamou de "Comércio Global 2.0", orientado pela inteligência artificial.
No entanto, o ser humano não deve perder espaço para a máquina, uma vez que a IA é operada por pessoas que continuam sendo necessárias no processo.
Tecnologia como apoio à decisão
Helmuth Hofstatter, fundador de CEO da Logcomex, reforçou essa visão. "No final do dia, na prática, a IA dá mais visibilidade para você e você consegue realmente planejar e construir esses diferentes cenários para apoiar numa decisão mais assertiva. Então você tem muito mais contexto como empresário", afirmou.
Outro participante do evento destacou a importância de informações preditivas para preparar empresas diante de crises. "A gente entende que se a gente consegue entregar uma informação histórica e mais preditiva, a gente traz uma informação mais acurada e os nossos clientes podem tomar melhores decisões. Então a gente está sempre preparado para a crise, sempre preparado para algum tarifaço ou para o fechamento de algum estreito, porque isso vai acontecer", disse Allan Schmitt, CSO da Logcomex.
IA além do comércio marítimo
O impacto da inteligência artificial não se limita às operações marítimas. O iFood, empresa associada à logística de entregas urbanas, também foi citado como exemplo de organização que vive a mesma disrupção tecnológica. Uma representante da empresa presente no evento explicou como a IA tem sido utilizada internamente.
"Dentro do iFood, a gente está falando muito mais da IA conseguir potencializar o nosso tempo. A gente consegue deixar as tarefas operacionais e táticas para um agente, e com isso a gente libera o nosso tempo para conseguir efetivamente criar, colaborar, inovar e pensar criticamente", declarou Camila Pinto, HR and Partner do iFood.


