Inglaterra testa robô que entrega encomendas sozinho
Batizado de Iris, o robô consegue subir e descer escadas, atravessar terrenos irregulares e carregar até 15 kg a 6 km/h; tecnologia pode atuar como suporte ao trabalho humano
Um robô entregador de duas pernas e rodas está sendo testado em Barnsley, no norte da Inglaterra. Batizado de Iris, o equipamento foi desenvolvido pela Refined Robotics em parceria com a empresa de entregas Evri e integra um projeto-piloto voltado à avaliação do uso da tecnologia em entregas residenciais.
O Iris é capaz de subir e descer escadas, atravessar terrenos irregulares e transportar encomendas de até 15 kg, alcançando uma velocidade de 6 km/h. A combinação de pernas e rodas foi uma escolha deliberada de projeto: as rodas garantem eficiência energética em superfícies planas, enquanto as pernas permitem lidar com escadas e outros obstáculos.
Por que o formato bípede?
Nick Hafner, CEO e cofundador da Refined Robotics, explicou que a opção por duas pernas foi motivada pelas limitações observadas em robôs quadrúpedes. "Robôs de quatro pernas frequentemente ficam presos em becos estreitos ou cantos apertados", afirmou.
Segundo ele, o formato bípede ocupa até metade do espaço de um robô de quatro pernas, o que permite acomodar mais unidades em uma van e, consequentemente, realizar mais entregas em uma mesma rua.
Hafner reforçou que a tecnologia deve atuar como um suporte ao trabalho humano, e não como substituta dos entregadores. "Motoristas carregam mais de 200 encomendas de uma vez e precisam fazer isso muito rapidamente, o que representa um esforço considerável para o corpo humano", disse.
Para ele, o objetivo é que os robôs assumam parte das tarefas físicas, permitindo que os entregadores façam mais com menos esforço. "Esse é o resultado ideal", concluiu.
Tecnologia como complemento, não substituição
Em entrevista à Reuters, Adrian Berry, gerente de inovação em entregas da Evri, afirmou que o robô poderia funcionar como uma espécie de "van de sorvete de encomendas": estacionado em um ponto, ele enviaria notificações aos destinatários, que poderiam retirar seus pacotes no local ou optar por outras formas de entrega.
Berry reconheceu, no entanto, que a tecnologia ainda está longe de replicar tudo o que um entregador humano é capaz de fazer. "Estamos muito distantes de robôs realizando tudo que um entregador faz. Isso é um produto de nicho e provavelmente continuará sendo por um longo tempo", afirmou.


