Embraer dispara mais de 10% após lista de isenções de tarifas dos EUA
Aviões ficarão de fora de tarifaço de 50%; lista ainda inclui suco de laranja, petróleo e celulosa
Os papéis da Embraer dispararam mais de 10% na bolsa brasileira nesta quarta-feira (30), após aviões ficarem fora do tarifaço de 50% dos Estados Unidos, conforme a ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump.
Os papéis da companhia encerraram o pregão com alta de 10,93%, negociadas a R$ 76,25.
O movimento deu força para o Ibovespa, que fechou com com alta de 0,7%, ao redor de 133,9 mil pontos.
Em nota, a fabricante de aviões ressaltou que decisão "confirma o impacto positivo e a importância estratégica das atividades da Embraer para as economias brasileira e norte-americana".
"Continuamos acreditando e defendendo firmemente o retorno à regra de tarifa zero para a indústria aeroespacial global. Mais importante ainda, apoiamos o diálogo contínuo entre os governos brasileiro e norte-americano e permanecemos confiantes em um resultado positivo para os dois países".
Estes são alguns dos principais itens da pauta exportadora do Brasil para os EUA, os quais vinham sendo colocados entre as preocupações do governo e do setor produtivo em relação ao movimento comercial de Trump.
Além dos já citados, também foram poupados do tarifaço carvão, aço e seus subprodutos. Castanhas de origem nacional e outros itens também não sofrerão com a alíquota mais elevada.
Já produtos como carne, café e frutas, que também aparecem com força nas exportações aos EUA, não aparecem na lista.
No documento, Trump cita que a ordem é justificada por uma "emergência nacional" em razão das políticas e ações "incomuns" e "extraordinárias" do governo brasileiro que, segundo o republicano, prejudicam empresas americanas, os direitos de liberdade de expressão dos cidadãos dos EUA e a política externa e a economia do país, de modo geral.
Trump também cita como justificativa para a medida o que considera como "perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivado" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com os motivos considerados acima, a Casa Branca informou que a decisão foi tomada com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, que confere ao presidente dos EUA o poder de tomar medidas extremas em tempos de emergência nacional.
"O presidente Trump tem reafirmado consistentemente seu compromisso de defender a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos contra ameaças estrangeiras, inclusive salvaguardando a liberdade de expressão, protegendo empresas americanas de censura coercitiva ilegal e responsabilizando violadores de direitos humanos por seu comportamento ilegal", diz o documento.
A Casa Branca menciona o uso de decisões monocráticas do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes desde 2019 para "abusar de sua autoridade judicial para ameaçar, atingir e intimidar milhares de opositores políticos".
Alexandre de Moraes sofreu nesta quarta-feira (30) a aplicação da Lei Magnitsky, que impõe sanções econômicas desde o bloqueio de bens que estejam nos Estados Unidos até restrições de movimentações bancárias. A informação foi antecipada pelo analista de internacional da CNN Lourival Sant'Anna.
"O presidente Trump está defendendo empresas americanas da extorsão, protegendo cidadãos americanos da perseguição política, salvaguardando a liberdade de expressão americana da censura e salvando a economia americana de ficar sujeita aos decretos arbitrários de um juiz estrangeiro tirânico", acrescentou.


