Juro é desafio para inadimplência das empresas, diz Serasa Experian
Levantamento mostra que 8,8 milhões de CNPJs estão inadimplentes, com dívida média de R$ 24 mil por empresa; micro e pequenas empresas são mais afetadas
O número de empresas inadimplentes no Brasil atingiu 8,8 milhões de CNPJs em fevereiro, conforme levantamento da Serasa Experian.
O valor está próximo do recorde histórico de 8,9 milhões registrado em dezembro de 2025, acendendo um alerta para a saúde financeira do setor produtivo brasileiro.
De acordo com Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o cenário é particularmente preocupante para as micro e pequenas empresas, que representam 8,4 milhões dos CNPJs negativados.
"A questão é estrutural, uma taxa de juros bastante elevada", afirmou Abdelmalack em entrevista exclusiva ao CNN Money, destacando que esse é o principal fator por trás do aumento da inadimplência.
O estudo revelou ainda que cada empresa negativada carrega, em média, sete dívidas inadimplidas, com valor médio em torno de R$ 24 mil.
Considerando que aproximadamente 94% das empresas ativas no Brasil são micro e pequenas empresas, esse valor é considerado relativamente elevado e dificulta a recuperação financeira desses negócios.
Perspectivas desafiadoras para 2026
A economista alerta que não há perspectiva de melhora no curto prazo. Mesmo com a projeção do boletim Focus de uma Selic em 13% ao final de 2026, esse patamar seria insuficiente para reverter a tendência de inadimplência.
"Seria insuficiente ainda esse nível de juros de 13% para a gente observar uma reversão na dinâmica do mercado de crédito", explicou.
O contexto de desaceleração econômica previsto para 2026, após um período de crescimento acima da média histórica entre 2021 e 2024, tende a agravar ainda mais o quadro.
Com o consumo mais enfraquecido e uma estrutura de custos pressionada pelos juros elevados, as empresas enfrentam dificuldades crescentes para honrar seus compromissos financeiros.
Outro fator que complica a situação é a escassez de crédito. Segundo Abdelmalack, há um movimento de desaceleração no ritmo de concessão de crédito pelas instituições financeiras, justamente devido ao quadro agravado de inadimplência.
Com isso, o caminho para as empresas saírem da inadimplência passa principalmente pela renegociação de dívidas, já que o canal do crédito está mais limitado.


