Master: Após recusa do BC, BRB pagaria R$ 400 milhões por mês em créditos

Acordo fazia parte de plano plano de recomposição de liquidez apresentado pela instituição de Daniel Vorcaro ao Banco Central

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, em São Paulo
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O Banco Master informou ao BC (Banco Central) em 21 de setembro de 2025 que havia firmado um acordo operacional com o BRB (Banco Regional de Brasília), no qual a instituição se comprometeu a adquirir até R$ 400 milhões mensais em créditos originados pelo banco de Daniel Vorcaro, em condições de mercado.

A informação consta no plano de recomposição de liquidez apresentado pelo Banco Master à autoridade monetária, cujo conteúdo foi obtido pelo CNN Money.

A proposta foi apresentada semanas após o Banco Central ter recusado a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília, em setembro.

No novo plano de solução, a instituição financeira de Daniel Vorcaro informa que a recomposição dos depósitos compulsórios somente seria plenamente efetivada no prazo de 180 dias, a partir das seguintes medidas:

  1. Da alienação de 100% do capital do Master Múltiplo e, por conseguinte, da Will Financeira, transferindo-se o controle dessas instituições;
  2. Transferência de controle do Letsbank a investidores institucionais;
  3. Reestruturação dos custos do Banco Master;
  4. Celebração de acordo operacional com o BRB, que se comprometeu a adquirir até R$ 400 milhões mensais em operações de crédito originadas pelo Banco Master, em condições de mercado;
  5. Investimento e capitalização do Banco Master em até US$400 milhões, por meio do ingresso de investidores estrangeiros;
  6. Liquidação privada organizada e ágil de ativos, conjugada com assistência de liquidez do FGC, a ocorrer até dezembro de 2026;
  7. Destinação, ao Banco Master, de direitos creditórios detidos pelo controlador, no montante de até R$ 8,5 bilhões.

Segundo o parecer técnico do Banco Central, a proposta apresentada se mostrou frustrada e o Banco Master continuou apresentando uma piora na sua liquidez.

As estratégias negociais foram acompanhadas de condutas ilícitas – como a venda de créditos inexistentes ao BRB em montante superior a R$ 10 bilhões – o que potencializou a crise.

Em 18 de novembro, quando o Banco Master foi liquidado, a instituição dispunha de um caixa livre em Títulos Públicos Federais de apenas R$ 4,8 milhões, ante um fluxo de vencimentos imediatos de CDBs na ordem de R$ 48,6 milhões a pagar.

Nesse cenário, o Banco Central entendeu que a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master era a solução solução adequada capaz de preservar o SFN (Sistema Financeiro Nacional).

Após analisar a condução do processo de liquidação do conglomerado, a Audibancos (Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do Tribunal de Contas da União) concluiu que o processo de liquidação do Banco Master pelo Banco Central foi correto e dentro do esperado. Na avaliação dos técnicos, a liquidação foi uma medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada.

As operações financeiras entre o Banco Master e o BRB são alvo da Polícia Federal, que investiga a compra de R$ 12 bilhões em ativos podres pelo banco regional.

Após o início das investigações, o Banco de Brasília trocou de gestão e contratou uma auditoria independente para fazer um pente-fino e colaborar com as autoridades.

Ao CNN Money, a defesa de Daniel Vorcaro disse que não vai se manifestar.

Procurados, o BRB e Master não se manifestaram.

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