Veremos redução nas vendas com fim da escala 6x1, diz Abrasce
Estudo aponta que mudança na jornada de trabalho pode levar setor a cenário de retração comparável a pandemia, com impactos no faturamento e no emprego
Um estudo realizado pela Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) revelou que a proposta acabar com a escala 6x1 pode provocar uma queda superior a 12% no número de vendas e empregos no setor. O cenário seria comparável ao observado durante a pandemia, com queda abrupta de faturamento e avanço da informalidade.
Glauco Humai, presidente da Abrasce, explicou em entrevista exclusiva ao CNN Money que o impacto seria significativo para o setor.
"Para ilustrar isso, a gente fechou 2025 com R$ 200 bilhões em vendas. Se a gente tivesse implementado essa legislação em janeiro de 2025, significaria que a gente fecharia o ano de 2025 com R$ 186 bilhões de vendas, R$ 14 bilhões a menos", afirmou.
Impacto maior para pequenos lojistas
Segundo a Abrasce, a mudança afetaria especialmente os pequenos lojistas, que representam 60% dos 115 mil estabelecimentos em shoppings.
Para empresas com quatro ou cinco funcionários, a contratação de um trabalhador adicional representaria um aumento de 20% a 25% nos custos trabalhistas, o que seria inviável para muitos negócios.
Humai destacou ainda a situação dos quiosques: "Só para ter outra ideia, 16 mil quiosques existem nos shoppings do Brasil. Cada quiosque tem um ou, no máximo, dois trabalhadores. Você vai ter que contratar um ou dois trabalhadores, você vai duplicar o custo trabalhista de um quiosque", explicou.
Risco de automatização acelerada
O presidente da associação alertou que a medida poderia acelerar a automatização de funções atualmente exercidas por pessoas.
"À medida em que eu vou ter que ter dois funcionários para trabalhar no caixa, meu custo vai aumentar, vai ser inviável eu ter essa função. Então, eu vou contratar um caixa automático", exemplificou.
De acordo com Humai, processos que normalmente levariam cinco ou dez anos para serem automatizados poderiam ser implementados em questão de meses, gerando mais desemprego.
A entidade defende uma discussão mais aprofundada sobre o tema, com estudos e projetos piloto antes de qualquer implementação.
"Não somos contra a evolução da legislação trabalhista. Entendemos que a legislação precisa evoluir, que o trabalhador precisa ter cada vez mais dignidade, melhores condições de trabalho, melhores oportunidades. O que nós não concordamos é com o momento e com a forma como isso está sendo discutido e proposto", concluiu Humai.


