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    Saiba como ficam os investimentos com taxa Selic a 12,75%

    Poupança é a única que, se considerada a inflação na conta, tem um rendimento negativo de 1,59%

    Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

    em São Paulo

    Com o movimento mais agressivo dos bancos centrais tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil para tentar controlar a inflação em ambos os países, as ações listadas em bolsa estão perdendo força frente a outros investimentos atrelados à taxa básica de juros ou o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), por exemplo.

    Um levantamento realizado pelo buscador de investimentos Yubb apontou que o rendimento bruto (descontada a inflação da conta) mais atrativo para o atual contexto é a debênture incentivada, que rende 14,42%. Logo abaixo está o LCA, cujo retorno é de 12,40%.

    A debênture incentivada é um título de renda fixa emitido por empresas de capital privado para captar recursos. O montante levantado é destinado obrigatoriamente às obras de infraestrutura.

    Já o LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) é um título de renda fixa emitido por instituições financeiras públicas ou privadas em que o montante captado é destinado principalmente para produtores rurais.

    Priscila Yasbek, analista da CNN, diz que a debênture rende mais porque é o investimentos mais arriscado se comparado com outras opções.

    O risco é que esse modelo de investimento não possui FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Assim, se a empresa que emitiu os títulos entrar em falência, corre o risco do investidor ficar sem dinheiro.

    O que não acontece com o LCA e o CDB (Certificado de depósito bancário). Ou seja, nessas opções, cada investidor pode recuperar via fundo R$ 250 mil por instituição, com o limite de R$ 1 milhão, a cada quatro anos, se a companhia que emitiu os títulos falir.

    Outro risco relacionado às debêntures, aponta a Toro Investimentos, é que há chances de a empresa não possuir um fluxo de caixa positivo ou o suficiente para arcar com o pagamento dos juros. E, com isso, o investidor pode não conseguir receber todo o dinheiro acordado.

    Dessa forma, Priscila aponta que o Tesouro Selic pode ser um investimento interessante para quem quiser aproveitar os juros maiores e não sabe quando pretende resgatar o montante.

    Dentre os modelos de investimentos apontados pela Yubb, a poupança é a única que, se considerada a inflação na conta, tem um rendimento negativo de 1,59%.

    Carlos Macedo, especialista em alocação de investimentos da Warren, afirma ainda que com os conflitos geopolíticos, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, além da política de zero-Covid da China – que continua afetando a cadeia produtiva global – a alta inflacionária tende a continuar, colocando os títulos indexados ao IPCA como a melhor classe em termo de performance.

    Pré-fixados

    Os especialistas entrevistados pelo CNN Brasil Business destacaram ainda que títulos pré-fixados valem a pena para períodos até o fim deste ano.

    “Períodos mais longos são arriscados nesse cenário, considerando que provavelmente teremos novos aumentos na taxa de juros”, diz Fabio Louzada, economista, fundador e CEO da escola Eu me banco.

    De acordo com o Boletim Focus do Banco Central divulgado na segunda-feira (2), a projeção do mercado financeiro para a inflação em 2022 avançou de 7,65% para 7,89%. Essa é a 16ª alta semanal consecutiva na mediana das previsões para o IPCA.

    O boletim também apontou que os analistas também elevaram as previsões para a taxa básica de juros, a Selic, em 2023, de 9% ao ano para 9,25% a.a.. Neste ano, é esperado que a taxa alcance os 13,25% ao ano.

    Assim, diante deste cenário, Louzada também realizou para o CNN Brasil Business uma lista em ordem de preferência para se investir no atual contexto geopolítico e econômico:

    1. Pós-fixado;
    2. Atrelado ao IPCA, se o montante não for retirado no meio do caminho;
    3. Prefixado curto, até 2024

    Veja os títulos e suas rentabilidades disponíveis no site do Tesouro Nacional:

    Ainda quero as ações

    Se o investidor ainda tem interesse em aproveitar as oportunidades no mercado de ações, independentemente do cenário econômico global, os analistas recomendaram que os acionistas fiquem no Brasil porque os múltiplos estão mais baratos se comparado com o exterior e essa é uma oportunidade de aproveitar a alta das commodities.

    Mario Mariante, analista-chefe da Planner Corretora, destacou que o preço de insumos e matérias-primas pesaram sobre boa parcela dos balanços divulgados até agora e não há uma tendência de redução no curto prazo.

    Assim, para ele, as companhias de commodities não devem sair do radar dos investidores. Vale lembrar que o Ibovespa é composto por cerca de 33% de companhias que trabalham com matérias-primas.

    Já Vitorio Galindo, head de análise fundamentalista da Quantzed, aponta que as companhias do setor de seguros devem se beneficiar com a alta dos juros.

    Ele explica que empresas de seguros têm o dinheiro dos prêmios que recebe e o montante fica no caixa até que tenha que pagar sinistro ou não (se isso acontecer, o valor fica retido no caixa da companhia).

    “O dinheiro parado é remunerado pela CDI. Se o CDI está 2%, o retorno é muito pequeno, mas com a CDI a mais de 10%, isso é muito relevante”. Assim, há empresas do setor que conseguem retorno financeiro maior do que próprio resultado operacional.

    O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é um título emitido em operações feitas entre instituições bancárias.

    E, nos investimentos, de acordo com a gestora Magnetis, tanto o certificado quando a Selic são taxas próximas, que costumam ter 0,10 ponto percentual de diferença. Ou seja, quando a taxa básica de juros sobe, o CDI sobe consecutivamente.

    Relembre a taxa Selic

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou, na última quarta-feira (4), uma alta de 1 ponto percentual na taxa básica de juros. Dessa forma, a Selic passa de 11,75% ao ano (a.a.) para 12,75% a.a..

    Com a decisão, em linha ao que era esperado pelo mercado, o Copom dá continuidade a um ciclo de altas que se iniciou em março de 2021 para combater a inflação no país, que fechou em 10,06% no ano passado. No período, a meta inflacionária de 3,75% – podendo chegar até 5,25% – não foi cumprida.

    De acordo com um levantamento realizado pelo CNN Brasil Business com Michael Viriato, estrategista da Casa do Investidor, esse é o mais longo ciclo de altas subsequentes na história.

    Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama, lembra que a taxa Selic ficou em níveis muito baixos na pandemia, e a inflação disparou a partir de 2021.

    “O retorno para alcançarmos a meta [da inflação] está levando mais tempo do que aquele que estávamos usualmente acostumados a experimentar… Nunca tivemos uma taxa tão baixa e, agora, precisaremos de mais tempo”.

    Veja o histórico da taxa de juros desde 1996, base histórica de dados do Banco Central:

    A analista da CNN, Priscila Yasbek, relembra ainda que alguns economistas acreditavam que a taxa básica de juros no Brasil poderia chegar a 14%, porém, o BC apontou na quarta-feira (4) que deve fazer um ajuste em uma magnitude perto de 0,75% ou 0,5%.

    “O que vai depender [no momento de subir a taxa Selic, na próxima reunião] é se o país continuará importando inflação por causa da guerra na Ucrânia e do lockdown na China… o Banco Central deixou portas abertas para se precisar ser mais agressivo [e subir 1% ou mais]”.

    *Com informações de Ana Russi, da CNN