Análise: Com sindicância, saberemos se BC agiu na hora certa sobre Master
Matheus Teixeira, no Bastidores CNN, avalia investigação que busca esclarecer se o Banco Central agiu no momento correto na liquidação da instituição financeira ou se houve demora
A Corregedoria-Geral do Banco Central abriu uma sindicância para apurar o processo de fiscalização e liquidação do Banco Master. A investigação tem como objetivo esclarecer se a autoridade monetária atuou no momento adequado ou se houve demora na tomada de decisão. Análise é de Matheus Teixeira no Bastidores CNN.
"A saúde financeira do Banco Master já era contestada há mais tempo", destaca o analista de Política da CNN. Teixeira explica que o Banco Central foi amplamente elogiado por técnicos e pela classe política não envolvida com o Banco Master por ter determinado a liquidação extrajudicial da instituição, encerrando suas atividades sem que o processo precisasse ser judicializado. A ação regulatória foi considerada apropriada dentro das competências da autoridade monetária.
No entanto, persistem questionamentos sobre o timing da intervenção. Há especulações em Brasília envolvendo tanto o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, quanto o atual presidente Gabriel Galípolo e outros diretores. "Muito se fala em Brasília se em algum momento o Banco Central pode ter sido omisso", relata o analista.
Entre as questões que a sindicância deverá esclarecer está como o BRB (Banco de Brasília) adquiriu tantos títulos fraudulentos do Banco Master sem que houvesse uma verificação adequada. Também será investigado por que a saúde financeira da instituição, já contestada nos bastidores, chegou a um ponto crítico sem uma intervenção mais precoce do Banco Central.
Teixeira ressalta que a liquidação extrajudicial do Banco Master coincidiu com uma operação policial, o que foi considerado uma ação bem coordenada. No entanto, a sindicância precisará determinar se essa coordenação foi oportuna ou se poderia ter ocorrido antes, evitando maiores danos ao sistema financeiro.
Outro ponto relevante são os recentes pedidos de demissão de profissionais diretamente envolvidos na fiscalização bancária e na atuação financeira do Banco Master, o que levanta mais questões sobre o contexto da fiscalização realizada pela autoridade monetária.


