Um ano de celulares proibidos nas escolas: o que gestores querem priorizar?
Entrevistados pelo MEC apontam que parceria com família para controle de tempo de tela é prioridade

O resultado da pesquisa do MEC (Ministério da Educação) que faz um balanço de um ano dos celulares proibidos nas escolas também deu um panorama dos próximos passos a serem adotados pelas instituições de ensino.
Entre os itens apontados pelos gestores para que a medida seja consolidada está a parceria com a família dos alunos a fim de limitar o tempo de tela dos estudantes (67%).
O levantamento foi feito pelo MEC e pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) por meio de questionário respondido por 2.469 gestores de escolas públicas e privadas.
O que as escolas querem priorizar?
- 67% dos gestores querem investir em parceria com as famílias para estabelecer limites ao uso de telas;
- 61% querem investir em formação docente e preparar professores para lidar com a mediação tecnológica, saúde mental e bem-estar;
- 60% querem investir em espaços de lazer e reformas estruturais em pátios e áreas de convivência escolar;
- 49% querem investir em educação digital midiática para integrar o tema ao currículo pedagógico.
Beatriz Alquéres, gerente-executiva de políticas públicas do Instituto Ayrton Senna, analisa que a restrição aos celulares é apenas uma parte do que deve ser adotado pelas instituições de ensino.
"A continuidade dessa política depende de uma atuação articulada entre escola e família, da formação dos professores, de ambientes escolares que estimulem a convivência e da educação digital dos estudantes. É muito importante que todos estejam juntos e alinhados para fazer com que a tecnologia esteja a favor da aprendizagem e desenvolvimento integral dos estudantes dentro e fora da escola, e essa parceria com os pais, a formação dos educadores, a ampliação e uso intencional dos espaços e atividades de lazer e convívio e o uso consciente da tecnologia é fundamental", explica.
87% das escolas planejam realizar ações de ampliação da educação digital
A pesquisa apontou que a proibição ao uso dos celulares foi implementado em 92% das instituições de ensino. Dos gestores que responderam, 87% afirmam que realizaram ou planejam realizar ações para ampliar a educação digital, e 71% discordam de que a restrição limita o desenvolvimento de habilidades digitais.
86% dos gestores notam alunos menos ansiosos
Outro resultado destacado indica que 86% dos gestores de escolas públicas e privadas tiveram a percepção de que a restrição ao uso dos celulares contribuiu para a redução da ansiedade entre os estudantes.
Mudanças comportamentais também foram notadas pelos docentes. Uma delas é que os alunos socializaram mais (95%), os casos de agressões digitais, cyberbullying e conflitos diminuíram (88%) e houve um aumento de atividades manuais, lúdicas e artísticas (67%).


