À CNN, Celina diz: "Se fosse do PT, já teria falado com Lula sobre o BRB"

Governadora comentou plano de recuperação do banco e se distanciou da crise com o Master: "Meu nome não consta nem no celular do Vorcaro"

Filipe Pereira e Helena Prestes, da CNN Brasil*, São Paulo e Brasília
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A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), comentou o plano de recuperação do BRB (Banco de Brasília) e as relações com o governo federal no processo. Em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (17), a candidata à reeleição falou de um "clima de guerra" política em torno do assunto, o que dificulta a tramitação.

Em sua fala, a política deixou transparecer um desconforto com a falta de empenho da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na resolução da crise iniciada em novembro de 2025.

"Desde quando assumimos o governo, nós temos uma percepção de que a disputa eleitoral tem sido o vetor dos meus adversários. Se eu fosse a candidata aqui do PT [Partido dos Trabalhadores], a primeira coisa que eu teria feito seria ter sentado aqui com o Lula e pedido que ele tivesse um olhar aí pro DF", disse.

Na última quinta-feira (13), uma audiência de conciliação no STF (Supremo Tribunal Federal) entre o GDF (Governo do Distrito Federal) e a União para viabilizar o acordo para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para o BRB encerrou sem um consenso.

Apesar de não terminar com uma decisão, ambas as partes terão que continuar conversando para sanar os temores por parte do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e do pool de bancos que oferecerá a garantia à operação.

"Esse clima de guerra é o que dificulta muito que a gente consiga aí avançar. Isso é um erro muito grande, porque você tem que estar acima dessa questão ideológica. Tenho sido muito tranquila aí nessa correção, o que acredito que é uma coisa que o cargo me exige", completou.

Ao comentar as investigações sobre o episódio de tentativa de compra do Master pelo BRB, Celina ressaltou a oposição às negociações à época e ressaltou a ausência do nome em qualquer inquérito relacionado ao caso: "Meu nome não consta nem no celular do Vorcaro".

A partir do momento em que a atual administração "herdou" a missão de recuperar a situação financeira do banco, a governadora falou da "responsabilidade de salvar o banco".

"O Distrito Federal me conhece. Quando surgiu essa expectativa aí de compra do Banco Master, eu fui publicamente contrária. Eu nunca fui citada em nada. Meu nome não consta nem no celular do Vorcaro. No caso do Master, eu fui contrária, mas, como governadora que hoje sou, herdei um problema. Troquei toda a diretoria do BRB e coloquei uma auditoria. O que recai sobre mim hoje é a responsabilidade de salvar o banco. É o que tenho feito. Esse é um lema que tenho na minha vida: problemas são feitos para a gente enfrentar."

Em março de 2025, o conselho de administração da instituição da capital federal aprovou um contrato de compra e venda de ações do Master, para aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e, consequentemente, 58% do capital total do banco, garantindo voto em seu respectivo conselho.

No entanto, em setembro do mesmo ano, o Banco Central rejeitou a negociação entre os dois bancos. O BC identificou que a operação transferiria riscos e passivos complexos do Banco Master, que poderiam comprometer a saúde financeira do BRB.

*Sob supervisão de Lucas Schroeder