Análise: Ala do PT vê erros estruturais na campanha de Lula

Petistas criticam campanha burocratizada, pouca escuta do núcleo central e falta de pauta própria frente ao adversário Flávio Bolsonaro; o analista de Política da CNN Pedro Venceslau comenta o tema ao CNN 360°

Da CNN Brasil
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Uma ala do PT avalia que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta erros estruturais que podem comprometer o desempenho eleitoral. Segundo o analista de política da CNN Pedro Venceslau ao CNN 360°, que apurou as críticas junto a fontes internas do partido, as reclamações partem de pessoas importantes da cúpula partidária, embora não diretamente ligadas à cúpula da campanha.

De acordo com Pedro Venceslau, uma das principais queixas é que Lula estaria com "pouca escuta" e cercado por uma equipe que também não estaria aberta a opiniões externas.

"O presidente Lula está com pouca escuta, está cercado de um time que também tem pouca escuta", afirmou o analista, descrevendo um núcleo que se fechou em demasia e não estaria aceitando debater alternativas.

Campanha na defensiva e sem pauta própria

Na avaliação das fontes ouvidas por Pedro Venceslau, a campanha estaria "girando em falso", de forma reativa, sem conseguir pautar os assuntos de interesse do candidato.

Entre os temas que deveriam ganhar mais destaque, segundo os críticos internos, estão o fim da escala 6x1 e a proposta de tarifa zero no transporte público, que estava prevista para integrar o plano de governo, mas acabou ficando de fora.

Outro ponto levantado é que a campanha estaria excessivamente centrada nas repercussões envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal), cujas polêmicas teriam gerado indignação em parte da população brasileira.

Essa insatisfação, segundo Pedro Venceslau, acabaria sendo associada a Lula pelo fato de ele ser o incumbente. "Ele representa o "sistema" ,essa palavra tão subjetiva, mas que acaba capitalizando o sentimento de indignação da população", explicou o analista.

Militância acomodada e imagem de distanciamento

As fontes ouvidas por Pedro Venceslau também apontam dificuldade em mobilizar a militância do PT. Parte dessa acomodação seria resultado da crença, até recentemente disseminada entre os petistas, de que a eleição já estaria vencida, diante da avaliação de que Flávio Bolsonaro seria um candidato fraco.

O analista citou um vídeo gravado por Guilherme Boulos e enviado a militantes do partido como sinal de alerta interno: na mensagem, Boulos teria dito que "a campanha não acabou, a eleição não está ganha, não é hora de subir no salto alto, vamos para a rua".

Pedro Venceslau destacou ainda uma imagem mencionada por três petistas como símbolo do distanciamento de Lula em relação ao eleitorado.

Em um evento de campanha, enquanto o candidato cumprimentava apoiadores em cima de um carro de som, Janja teria intervindo para retirar o braço de uma popular que abraçava Lula.

"É uma imagem que ficou muito forte, porque passa um pouco a impressão de que o presidente Lula se distanciou do povo", avaliou o analista.

Segundo ele, as fontes também criticam o fato de Lula estar "muito encastelado, viajando pouco", em contraste com a campanha de Flávio Bolsonaro, que tem exibido diariamente imagens do candidato em diversas cidades, cercado de multidões, inclusive no Nordeste, reduto histórico do PT.

Centrão sinalizando aproximação com Flávio Bolsonaro

Pedro Venceslau revelou ainda que a campanha de Flávio Bolsonaro tem contado com um suporte crescente de lideranças do Centrão nos estados.

Segundo o analista, ao chegar às cidades para fazer campanha, Flávio é recebido por deputados, vereadores, senadores e dirigentes partidários de legendas como PP, União Brasil, Republicanos e, em alguns casos, PSD — partidos que não fecharam apoio formal ao candidato, mas que liberaram seus quadros para apoiarem quem bem entendessem.

"Os caciques locais de partidos do Centrão estão fazendo esforço para mostrar ao Flávio o empenho em botar gente na rua para recebê-lo", descreveu o analista.

Na avaliação de Pedro Venceslau, esse movimento tende a se intensificar em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, cenário que as pesquisas apontam como o mais provável.

Segundo ele, nenhum candidato da chamada terceira via despontou até o momento, e, após as eleições para deputados, os caciques do Centrão devem fazer gestos mais concretos de apoio.

"No segundo turno, o Flávio começa a ganhar mais força para receber apoio desses caciques locais, o que na campanha no segundo turno pode ser bastante importante", concluiu o analista.

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