Análise: Decisão de Gilmar Mendes frustra estratégia do PL para 2026
Partido planejava mudar correlação de forças no Senado para facilitar pedidos de impeachment contra ministros do STF, mas decisão pode restringir iniciativas à PGR; análise é de Pedro Venceslau no CNN 360°
A estratégia eleitoral do PL (Partido Liberal) para 2026, focada em alterar a composição do Senado Federal para viabilizar processos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e limitar ações da Corte, pode ser comprometida pela decisão desta quarta-feira (3) do ministro Gilmar Mendes, conforme analisou Pedro Venceslau no CNN 360°.
Gilmar Mendes determinou que apenas a PGR (Procuradoria-Geral da República) poderá apresentar pedidos de impeachment contra ministros do STF, uma mudança significativa em relação à lei de 1950, que permitia que qualquer cidadão fizesse tal solicitação.
"Não é segredo para ninguém que a oposição bolsonarista faz uma cruzada contra o STF e considera que o Supremo persegue o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)", afirmou Venceslau.
A decisão de Gilmar Mendes ainda precisa ser referendada pelo plenário do STF, mas caso seja confirmada, limitará significativamente a capacidade da oposição de promover ações contra ministros da Corte. Além da restrição dos pedidos à PGR, a medida também prevê um aumento no quórum necessário para a aprovação de sanções contra membros do STF.
Articulações políticas nos estados
O PL vinha realizando um mapeamento estratégico nos estados e promovendo alianças para tentar vencer candidatos de orientação progressista. Um exemplo dessa articulação é no Ceará, onde o partido cogita uma aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que seria candidato a governador, enquanto o pai do deputado federal e presidente do PL no Ceará, André Fernandes (PL-CE), concorreria ao Senado.
Em resposta a essa movimentação, o PT (Partido dos Trabalhadores) também estrutura sua própria estratégia eleitoral, visando eleger o maior número possível de senadores em 2026. "O intuito é blindar o Senado e impedir um eventual processo de impeachment contra um presidente da República, caso Lula (PT) seja reeleito", disse o analista.


