Análise: Governo espera começar ano aprovando matérias "eleitorais"

Análise de Pedro Venceslau, no CNN 360°, aponta que governo federal espera iniciar 2026 com aprovação de medidas como MP do Vale Gás e regulamentação do trabalho por aplicativos

Da CNN Brasil
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O governo federal espera iniciar o ano legislativo de 2026 com a aprovação de pautas consideradas eleitorais, conforme análise de Pedro Venceslau, no CNN 360°, sobre a relação entre o Executivo e o Congresso Nacional.

Durante o recesso parlamentar, houve uma aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e lideranças do Legislativo, incluindo Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB). Este último foi responsável pela indicação do novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, na cota do União Brasil. A primeira reunião de líderes já sinalizou essa aproximação, com pautas governamentais entrando como prioridade.

Entre as medidas prioritárias está a MP do Vale Gás, além da promessa de celeridade na aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia. O Brasil busca ser o primeiro país a aprovar o acordo em seu Congresso, servindo como exemplo para os demais membros dos blocos econômicos.

Pautas trabalhistas como bandeira eleitoral

Uma das principais bandeiras que o governo pretende defender é o fim da jornada de trabalho 6x1 sem redução de salários, proposta que enfrenta forte resistência das bancadas mais conservadoras, especialmente aquelas ligadas ao agronegócio e ao empreendedorismo. A oposição já articula propostas alternativas, buscando uma fórmula diferente para a redução da jornada.

Outra pauta trabalhista prioritária é a regulamentação do trabalho por aplicativos, considerada uma forma de conquistar um eleitorado que a esquerda teve dificuldade de acessar nas eleições de 2024: motoristas e entregadores de aplicativo. Quem está à frente desse processo é o secretário-geral da presidência, Guilherme Boulos, junto com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que já comunicou a Lula sua decisão de permanecer no cargo até o final do governo, abrindo mão de disputar uma vaga como deputado federal.

Tensões com a oposição e CPIs

Apesar da aproximação com líderes do Legislativo, o governo enfrenta pressões da oposição em duas frentes de investigação. A CPMI do INSS no Senado, que o governo deseja encerrar rapidamente, sofre pressão da oposição para ser estendida por mais 90 dias. Há também tentativas de convocar o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, para depoimento.

Na Câmara dos Deputados, a CPI do Banco Master também preocupa o governo, especialmente porque foi proposta por um aliado, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A comissão já conseguiu as assinaturas necessárias para instalação.

No campo da segurança póblica, outro tema prioritário, o governo enfrenta divergéncias com o relator da PEC da Segurança Pública, Mendonça Filho (União-PE). O governo defende maior centralidade da PF (Polícia Federal) nas investigações, enquanto o relator argumenta que os estados devem ter papel predominante.

A oposição também pressiona pela votação rápida dos vetos presidenciais, especialmente o PL da dosimetria. O governo já considera essa derrota como certa e não pretende mobilizar esforços para evitar a derrubada dos vetos, que deve ocorrer antes do carnaval.

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