Chapa de Tarcísio em SP vira alvo de disputa entre aliados

Definições sobre vice e nomes ao Senado são debatidas nos bastidores

Vinícius Murad, da CNN Brasil, São Paulo
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A construção da chapa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a eleição de 2026 tem se transformado em um terreno de disputas e negociações intensas nos bastidores políticos, com aliados articulando posições para vice-governador e as duas vagas ao Senado Federal.

Hoje, com a maior probabilidade de Tarcisio disputar a reeleição, e não disputar o Palacio do Planalto — a despeito de seu nome ainda ser defendido para a eleição nacional — se intensifica a discussão sobre a chapa do governador.

Três nomes são considerados postulantes ao cargo de vice na chapa de Tarcísio na tentativa de reeleição no Palácio dos Bandeirantes.

O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD) — que integrou a chapa em 2022 — é visto como o favorito natural no Republicanos e para aliados do próprio Tarcísio, que tem sinalizado preferência por mantê-lo na chapa. A avaliação é de que a continuidade com Ramuth conferiria estabilidade política e partidária à campanha.

Outro nome em jogo é o do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Apesar de ocupar a secretaria de Governo e Relações Institucionais no governo paulista, Kassab enfrenta resistência interna.

Segundo interlocutores, parte do eleitorado bolsonarista vê com ressalvas sua atuação, em especial pela legenda dele integrar o governo Lula (PT). Além da indisposição com dirigentes de partidos de centro por Kassab ter articulado uma quantidade relevante de filiações de prefeitos de outras siglas, e por não estar alinhado com todas as pautas do campo conservador.

Fontes também lembram que Kassab tem ambições futuras, inclusive pretendendo, segundo aliados próximos, consolidar um projeto próprio para 2030, o que tem alimentado especulações sobre sua candidatura.

Um terceiro nome que circula nos bastidores é o do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. A avaliação interna é que sua inclusão na chapa geraria resistência no partido, por implicar a entrega da vaga de vice ao PL e, ao mesmo tempo, reduzir o espaço da sigla na disputa por cargos estratégicos em 2026, como o Senado e até a Presidência — posições que a legenda considera prioritárias.

Disputa pelo Senado

No caso das duas vagas ao Senado por São Paulo, as articulações também refletem um cenário competitivo e fragmentado nacionalmente, com preocupações tanto da direita quanto da esquerda.

No campo conservador, há um consenso inicial em torno do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) como um dos nomes que deve disputar uma das vagas, uma posição que já circula como forte no grupo de aliados de Tarcísio.

A definição sobre o outro candidato ao Senado, entretanto, segue sem resolução clara. Esta cadeira deve ser escolha de Bolsonaro, segundo dirigentes partidários.