Candidatos no Rio debatem corrupção e segurança com ataques a Ruas e Paes

Principais postulantes ao governo do Rio de Janeiro se reuniram nesta noite para debater propostas antes do primeiro turno, marcado para o próximo domingo (4)

Leticia Moreira, colaboração para a CNN Brasil, João Ker, da CNN Brasil, São Paulo
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Os candidatos ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo) se reuniram em debate promovido pela TV Globo na noite desta terça-feira (29).

A cinco dias do primeiro turno, os nomes discutiram propostas para saúde, transporte, emprego, educação e saneamento. Ao longo do encontro, os candidatos concentraram as críticas em Ruas e Paes e na herança e alianças políticas dos dois postulantes ao governo fluminense.

O nome de Douglas Ruas foi associado, em diversas ocasiões, ao ex-governador Cláudio Castro (PL), de quem foi secretário, e a Rodrigo Bacelar (PL), ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), cargo hoje ocupado pelo candidato do PL. Os ataques vieram principalmente do ex-prefeito Eduardo Paes e de Garotinho.

Ruas chegou a mencionar a relação com Castro e Bacelar em resposta a Paes: "Tive, sim, uma relação de trabalho e não nego". Em seguida, acusou Paes de ter se encontrado com Castro fora da relação profissional e questionou o ex-prefeito se ele teve qualquer envolvimento com Bacelar após ele deixar a cadeia – o tempo de Paes já havia acabado e ele não respondeu.

O candidato do PSD também foi alvo de ataques por parte de Ruas e de outros candidatos. Em determinado momento, Douglas Ruas disse que o ex-prefeito estava "muito preocupado" com o embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) e acusou Paes de "esconder" a relação com o petista.

Ao longo do encontro, Marinho também se referiu a Paes como "candidato do PT", em referência ao apoio do candidato à reeleição de Lula. Mais tarde, o candidato do Novo disse que Paes só quer “mudar de palácio” e acusou o ex-prefeito de “não cumprir nenhuma das promessas". Afirmou que Ruas "tem suas contradições e tem que responder por todas elas", mas defendeu que o único candidato com "independência" é ele.

Paes chegou a falar de Lula ao ser questionado por Siri sobre o desenvolvimento econômico no estado: "Ele não é meu patrão, não preciso ficar aqui 'Lula, Lula, Lula'. Eu trabalho em conjunto com o governo federal".

Garotinho também associou o nome do ex-prefeito ao de Daniel Soranz, ex-secretário de Saúde de Paes, e cobrou explicações. O candidato acusou Soranz e o atual prefeito da capital fluminense, Eduardo Cavaliere, de estarem na lista de pagamento do bicheiro Adilson Coutinho Filho, o Adilsinho.

Marinho e Garotinho também protagonizaram embates. Em dado momento, após Marinho acusar Garotinho de ter um "longo rabo preso, como você mesmo disse, do tamanho da ponte Rio-Niterói", o candidato do Republicanos se defendeu dizendo que ele foi o primeiro a negociar dívida do estado com FHC (Fernando Henrique Cardoso) e disse que Marinho é "muito novinho", por isso não se lembrava.

Transporte público

Douglas Ruas abriu o debate com o tema transporte público, sorteado na hora. Ele questionou Eduardo Paes sobre o estado do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e as promessas da Linha-3 do metrô até São Gonçalo, na Baixada Fluminense. O ex-prefeito do Rio disse que 80% dos investimentos de sua gestão à frente da Prefeitura do Rio de Janeiro, foram destinados à "zona norte, favelas e zona oeste da cidade do RJ, porque são as áreas que mais precisam".

"Um VLT de Botafogo é uma boa iniciativa, é importante, mas não era minha prioridade. Minha prioridade foi recuperar o BRT, a população voltou a ter um transporte publico de muita qualidade", disse Paes.

Douglas, então, acusou o adversário de prometer e depois "trocar a prioridade". "Este aqui é retrato da velha política, vale tudo pra ganhar a eleição", afirmou.

Depois, Paes perguntou a Siri sobre emprego. O candidato do PSOL aproveitou a oportunidade para se apresentar ao público e destacou que, se eleito, pretende reestatizar os trens do estado e reindustrializar a região, construindo complexos produtivos.

Segurança

Marinho questionou Garotinho sobre como recuperar os territórios dominados pelo crime organizado no estado. Garotinho prometeu criar o Bope 2.0, com o intuito de ser um "batalhão de ocupação, não de confronto, como o atual". Depois, voltou a fazer críticas a Ruas e disse que "queria perguntar qual foi o bandido que ele prendeu" enquanto era policial. Marinho falou em unificar as polícias.

Garotinho se voltou a Siri novamente falando sobre a ligação de Ruas com Rodrigo Bacelar. Siri mencionou o desejo de acabar com os territórios dominados por facções e Garotinho rebateu: "Me perdoe, mas essa frase é minha, o gabinete do crime organizado no Rio é o gabinete do Palácio Guanabara e a subsecretaria na Alerj. Essa frase é minha".

Corrupção e dívida do estado

Sobre o tema dívida de governo, Garotinho leu supostas dívidas envolvendo os nomes de pessoas ligadas ao governo de Cláudio Castro, em pergunta a André Marinho. "O Globo disse que Cláudio Castro roubou 8 bilhões. Eu acho que foi mais, o que você acha?", perguntou ao candidato do Novo.

"O problema do Rio não é falta de dinheiro, é excesso de ladrão", afirmou Marinho. Depois, acusou Garotinho de ter um "longo rabo preso".

Outros temas

Os candidatos também abordaram temas como o fim a escala 6x1, violência contra a mulher, saneamento e educação.

No segundo bloco, Siri defendeu o fim da escala 6x1 e fez críticas a Flávio Bolsonaro (PL), em pergunta a Douglas Ruas, que defendeu o senador das acusações de "miliciano".

Depois, Ruas perguntou a Paes quais as propostas voltadas às mulheres, que disse que pretende investir na Lei Maria da Penha e voltou a mencionar a ligação de Ruas com Castro. Os candidatos trocaram acusações sobre alianças com histórico de violência contra a mulher.

Sobre saneamento, outro tema sorteado, Siri ressaltou que tem o plano de reestatizar a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), proposta apoiada por Garotinho. “Estou contigo nessa”, disse o candidato do Republicanos.

Garotinho também aproveitou a oportunidade para reafirmar que é candidato ao governo do Rio e que seu nome estará nas urnas após indeferimento de candidatura pelo TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro). Mais cedo, ele afirmou que vai recorrer da decisão do Tribunal Regional que manteve o indeferimento da sua candidatura.

No terceiro bloco, os candidatos foram perguntados sobre diferentes regiões do estado. Siri perguntou a Paes sobre educação no centro-sul do estado e se, caso eleito, ele vai continuar tratando os servidores "de forma não digna", como teria feito à frente da Prefeitura. Paes ignorou a provocação e falou sobre propostas para ensino profissionalizante em tempo integral.

Sobre as baixadas litorâneas, Paes perguntou a Marinho sobre o que pretende fazer em relação aos pedágios da região. O candidato do Novo disse a Paes que vai fazer "definitivamente o que você não fez na Transolímpica" e acusou o ex-prefeito do Rio de se referir aos moradores da Região dos Lagos com palavras de baixo calão. Paes negou.

Sobre a região serrana, Ruas questionou Marinho em relação a saúde e transporte da região. O candidato do Novo disse que, em um possível governo, "não vai ser mais político que define quem vive e quem morre no Rio de Janeiro", porque saúde "vai ser considerada um direito". Ruas prometeu entregar hospital focado no tratamento do câncer e investir nas estradas do local.

Depois, Marinho perguntou a Garotinho sobre o transporte da região metropolitana. Garotinho começou falando que tinha um alerta para fazer e que "tem dois caras que estão fingindo ser quem não são, encenando para enganar" o telespectador. Em seguida, o candidato do Republicanos listou alguns projetos que entregou em seu governo e disse que "de transporte" ele entende.

Debate

A cinco dias do primeiro turno das eleições 2026, os candidatos ao governo do Rio de Janeiro se reuniram na noite desta terça-feira (29) para debate promovido pela TV Globo. Participam do encontro Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo).

O candidato do Novo foi autorizado a participar do debate após resolução do ministro Nunes Marques, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que decidiu incluir o partido nos debates eleitorais nesta noite. Além de Marinho, a medida abrange os candidatos à Presidência Romeu Zema e ao governo do Distrito Federal Kiko Caputo.

O evento começou às 22h15 (horário de Brasília) e foram convidados os candidatos que têm partidos com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional.

Além do Rio de Janeiro, a Rede Globo promoveu nesta noite debate com os principais candidatos aos governos dos outros 25 estados e do Distrito Federal.