Eleições 2026: CEO da Nexus avalia cenários de Lula e de Flávio Bolsonaro
Levantamento do Instituto Nexus aponta Lula com 42% no 1º turno e crescimento da rejeição a Flávio Bolsonaro, que chega a 52%. O CEO Marcelo Torkarski analisa o cenário ao Hora H
Uma nova pesquisa do Instituto Nexus para o BTG, divulgada nesta segunda-feira (15), aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% das intenções de voto para o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao Hora H, Marcelo Torkarski, CEO da Nexus, falou sobre o levantamento
O levantamento ouviu 2.017 eleitores de todo o país entre os dias 12 e 14 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
O levantamento foi realizado com recursos do Banco BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Entre os demais pré-candidatos, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem com 4% cada, ambos dentro da margem de erro.
Romeu Zema (Novo), Joaquim Barbosa (DC) e Augusto Cury (Avante) registram 2% cada, enquanto Aécio Neves (PSDB) e Cabo Daciolo (Mobiliza) somam 1% cada. Brancos e nulos representam 5% e 3% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
Cenário de segundo turno e evolução das pesquisas
Na simulação de segundo turno, o presidente Lula aparece pela primeira vez fora da margem de erro à frente do senador Flávio Bolsonaro.
Em abril, os dois estavam numericamente próximos — 46% a 45%. Em maio, a distância cresceu para quatro pontos, com Lula em 47% e Flávio em 43%.
Agora, em junho, Lula avança para 49% enquanto Flávio se mantém em 43%, resultando em uma diferença de seis pontos percentuais.
Marcelo Torkarski avaliou que os números ainda não indicam uma vitória de Lula no primeiro turno.
"Se a gente fosse calcular voto válido, que é o que interessa para uma definição de primeiro turno, Lula estaria na casa de 46%. Distante ainda, uma coisa que ele nunca conseguiu fazer", afirmou.
Segundo ele, a tendência aponta para um segundo turno entre os dois pré-candidatos, já que os demais concorrentes não conseguem ultrapassar a barreira dos dois dígitos nas pesquisas.
Rejeição de Flávio Bolsonaro cresce; Lula melhora aprovação
Um dos dados que mais chamou atenção no levantamento foi o crescimento da rejeição a Flávio Bolsonaro.
Em abril, 48% dos entrevistados afirmavam que não votariam nele de jeito nenhum. Esse índice subiu para 52% em junho.
Torkarski associou parte desse movimento ao episódio dos áudios envolvendo Flávio e o empresário Vorcaro, que teria impactado especialmente o eleitor não polarizado. "O desafio de Flávio é não deixar essa rejeição crescer e baixar de 50", destacou.
Já a rejeição a Lula permaneceu praticamente estável, passando de 48% em abril para 47% em junho.
Ao mesmo tempo, o percentual de entrevistados que afirmam que votariam exclusivamente nele subiu de 34% para 38%.
No campo da aprovação de governo, pela primeira vez desde o início da série histórica — iniciada em março — a aprovação de Lula superou numericamente a desaprovação.
"Há uma melhora lenta, gradual, que começou a se acelerar depois que o governo abriu a caixa de ferramentas", disse Torkarski.
Eleitor não polarizado e o papel da terceira via
Torkarski explicou que o eleitor não polarizado — que representa 21% do eleitorado na pesquisa — tem se comportado de forma mais próxima ao eleitor de Lula do que ao de Flávio Bolsonaro.
Nas duas últimas rodadas, esses dois pré-candidatos apareciam empatados entre esse grupo, com diferença de apenas um ponto.
Agora, a diferença saltou para seis pontos a favor de Lula.
Segundo o analista, esse perfil de eleitor tende a ser mais escolarizado, residente em centros urbanos, e leva mais em consideração questões ligadas à soberania nacional.
Sobre a terceira via, Torkarski foi categórico ao afirmar que os pré-candidatos fora da polarização não conseguem atrair o eleitor que deseja uma alternativa.
"O eleitor olha para o cardápio, não vê um prato ali que ele quer e acaba comendo a comida de sempre", disse.
Embora 24% dos entrevistados afirmem preferir um candidato que não seja nem Lula nem Flávio Bolsonaro — ante 11% dois meses e meio atrás —, apenas metade desse grupo está efetivamente votando em algum nome de terceira via no primeiro turno.
Impacto das medidas dos EUA na percepção dos brasileiros
A pesquisa também captou a percepção dos brasileiros sobre duas medidas dos Estados Unidos com reflexos no Brasil.
Em relação à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelo governo americano, 37% dos entrevistados acreditam que a medida ameaça a segurança dos brasileiros, pois poderia ser usada como justificativa para uma possível interferência dos EUA no país.
Outros 30% acreditam que a medida vai melhorar a segurança, e 23% consideram que ela não interferirá, por não implicar intervenção direta.
Quanto às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, 42% dos entrevistados atribuem mais culpa a Flávio Bolsonaro pela situação, enquanto 39% responsabilizam mais Lula.
Para 11%, ninguém tem culpa, e 8% não souberam ou não responderam. Torkarski interpretou esses números como reflexo da polarização: "O eleitor do Flávio está com o Flávio. Ele acha que o Flávio agiu correto e o Lula é o culpado. O eleitor do Lula acha o contrário".
A diferença, segundo ele, está justamente no comportamento do eleitor não polarizado, que neste ciclo se aproximou mais da narrativa do governo.
Eleição ainda em aberto, segundo analista
Ao ser questionado sobre o fim de um período de estabilidade nas pesquisas, Torkarski reconheceu que o cenário começou a se movimentar.
Ele citou que, há dois meses, Lula havia sofrido uma derrota com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo pelo Senado, mas conseguiu reverter a narrativa ao promover uma agenda com o presidente americano, Donald Trump, e lançar uma série de programas populares.
"O momento hoje da eleição é um pouco mais favorável a ele", avaliou.
Por outro lado, o analista ressaltou que Flávio Bolsonaro, apesar de ter passado por um momento mais delicado, segue como o principal adversário de Lula.
"Ele continua como o grande adversário de Lula", afirmou Torkarski. Para ele, a eleição tende a ser disputada, com muito ainda por acontecer — debates, entrevistas e maior exposição dos candidatos.
"Eu acho que a eleição tende a ser uma eleição apertada", concluiu.


