Eleitor indeciso é fundamental para definir segundo turno, diz CEO da Nexus
Em entrevista ao Hora H, Marcelo Tokarski analisa dados de rejeição e potencial de voto de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno
O eleitor indeciso, aquele que votou na terceira via no primeiro turno ou que anulou seu voto, será fundamental para definir o resultado do segundo turno das eleições. A avaliação é de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, em entrevista ao Hora H desta terça-feira (13).
Com base em levantamento recente da Nexus/BTG sobre o potencial de voto e a rejeição dos candidatos, 51% do eleitorado afirma que não votaria em Lula (PT) de jeito nenhum, enquanto 47% rejeitam Flávio Bolsonaro (PL).
Em contrapartida, 42% dizem que Lula é o único candidato em quem votariam, ao passo que 43% fazem a mesma afirmação em relação a Flávio. "Esse é o piso do piso de cada um dos candidatos", destacou Tokarski.
Para os dois candidatos, há 7% do eleitorado que declara poder votar em qualquer um deles, mas que ainda não tem certeza sobre sua escolha. Tokarski ressaltou que esse percentual coincide exatamente com a fatia de eleitores que afirmam poder mudar de voto até o dia do segundo turno.
"Esse eleitorado será fundamental para a gente acompanhar eventuais movimentos, para onde esse eleitor vai. Ele está dizendo que aceita votar nos dois, mas mais gente hoje está votando em Flávio, que tem a vantagem. Mas esse eleitor é um eleitor que pode mudar de opinião", observou o analista.
Herança da terceira via
Tokarski também analisou o comportamento dos eleitores que votaram na chamada terceira via no primeiro turno, que somou quase 8% dos votos válidos. Segundo os dados da Nexus/BTG, 45% desses eleitores migraram para Flávio, 32% para Lula, 19% optaram pelo voto em branco ou nulo e 3% seguem indecisos.
O analista destacou que o índice de eleitores não convictos dessa parcela do eleitorado mais que dobra, chegando a 16%. "Esse eleitor é um eleitor que preferia não ter que votar nem em Lula, nem em Flávio", explicou.
De acordo com Tokarski, esse eleitor tende a fazer a escolha daquele que considera o candidato menos ruim, e sua decisão pode ser influenciada por debates, sabatinas, movimentações de rua e posicionamentos dos candidatos nos noticiários.
"A gente vai ter que olhar muito para esse eleitor, que é um eleitor mais escolarizado, mais pragmático", disse.
Ele acrescentou que, se todo esse contingente migrar para Flávio, a diferença pode se ampliar de 48% x 45% para 49% x 43% nos votos totais. Já se o movimento for inteiramente em direção a Lula, os dois candidatos poderiam empatar, com 46% cada um.
"Isso reforça que, apesar de um certo favoritismo de Flávio, reconhecido até pelos próprios eleitores, a eleição está longe de estar definida", concluiu Tokarski.


