Flávio perdeu "cabo eleitoral" após crise com Michelle, aponta Meirelles
Presidente do Instituto Locomotiva, disse ao WW Especial que briga na família Bolsonaro afasta chance do senador e pré-candidato à Presidência reduzir vantagem que Lula garante nesse público
A relação conflituosa entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tiram um ativo eleitoral à campanha dele ao Planalto, segundo análise do presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, ao WW Especial.
Ele pontua que a questão vai muito além da perda de votos nas urnas, afetando a capilaridade do senador no público feminino. "Ele perdeu a chance de uma narrativa e de um cabo eleitoral", afirmou.
A crise começou a partir de um vídeo nas redes sociais, onde Michelle expôs atritos com Flávio, que surgiram a partir de discordâncias sobre palanques do PL. Ela afirmou que havia se sentido humilhada pelo senador, que também teria sido ríspido com ela.
"Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", disse no vídeo. Flávio negou a intenção de ofendê-la e pediu desculpas.
Uma semana depois, Michelle deixou a presidência do PL Mulher, dizendo que gostaria de se dedicar exclusivamente aos cuidados do marido, Jair Bolsonaro (PL).
No entanto, o senador ainda espera que a ex-primeira-dama entre em sua campanha. "Eu estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente para estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim", declarou.
Meirelles explica que a ex-primeira-dama imprime um modelo de comunicação que evita polêmicas e combina um jeito "conservadora, mas leve". Politicamente, Michelle construiu uma comunidade forte dentro do PL Mulher, onde organizava encontros, debates e a participação de Igrejas Evangélicas em programas sociais.
"Ela foi se fortalecendo como o 'aspiracional' da mulher evangélica, que é conservadora", diz. "Ela tem um jeito muito novo de falar para as mulheres, de mulher falando para mulher."
O cenário para Flávio frente ao público feminino já é visto como complexo. No último levantamento da Quest, o presidente Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto nesse público; o senador ficava com 24%. Para efeito de comparação, entre os homens a disputa é mais apertada 37% para Lula e 34% para Flávio.
Por isso, o senador estaria em busca de uma mulher evangélica para a vaga de vice na chapa presidencial, segundo apurou a CNN Brasil.
WW Especial
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