Lula evita promessas em comícios e levará propostas a TV e rádio

Plano para eventual quarto mandato é tido como desafio para a campanha, e mandatário exige propostas factíveis de equipe petista

Danilo Moliterno, da CNN Brasil, de Belo Horizonte
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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição decidiu evitar promessas nos primeiros discursos em comícios. A ideia, segundo interlocutores do mandatário, é levar propostas para um eventual quarto mandato aos programas de TV e rádio.

Na largada da corrida eleitoral, em São Bernardo do Campo (SP), a campanha tentou resgatar o "passado", com a montagem do evento e o discurso de Lula voltados a sua "origem sindical". Já nos comícios em Natal (RN) e Belo Horizonte (MG), a ideia é falar de "presente", conforme descrevem membros da campanha.

Na capital do Rio Grande do Norte na quinta-feira (20), Lula discursou em defesa de feitos de seu terceiro mandato para "inclusão social" e acenou com pautas em tramitação no Congresso Nacional, como o fim da escala 6x1 e da "taxa das blusinhas".

A tendência é que o presidente mantenha o tom e siga sem mencionar novas propostas em comício na capital mineira nesta sexta-feira (21).

Interlocutores afirmam que o "futuro" será tratado a partir da próxima semana — quando se inicia a propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio. Lula já começou a gravar, em estúdio instalado no seu QG em Brasília, e levará promessas aos seus programas.

O tratamento para promessas de campanha é tido como um desafio para a campanha petista, visto que Lula já ocupou o Palácio do Planalto por três mandatos. A ordem do mandatário é incluir somente propostas "factíveis" em seu programa.

Parte das propostas a serem usadas por Lula — bem como o tom para as promessas — estão em seu plano de governo.

Lula decidiu, por exemplo, propor a expansão da educação em tempo integral, enquanto a universalização teria custo muito alto ao erário. Da mesma maneira, prometerá a criação de um Ministério da Segurança Pública sob a condição da aprovação pelo Congresso da emenda à Constituição que aumenta a atribuição federal nesta frente.

Em 2022, a campanha de Lula privilegiou promessas — e teve como uma de suas marcas a picanha no prato do brasileiro. Enquanto parte das propostas, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000, foram cumpridas, outra não foi à frente, como a própria criação de uma pasta para a segurança.