Master, Lulinha, INSS e Dark Horse elevam munição e desafios para campanhas
Envolvimento de candidatos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tem sido foco das campanhas nos ataques
Os candidatos à Presidência têm enfrentado temas que servem tanto como munição para ataques, quanto levantam questões que precisam ser explicadas por eles. O envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, os desvios no INSS e as investigações contra o filho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são assuntos usados pelas campanhas para atacar os adversários.
O principal desafio para os presidenciáveis que aparecem à frente nas pesquisas são as ligações com o Banco Master. Em meio a cobranças, Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm respondido sobre os vínculos com o ex-banqueiro.
Financiamento de Dark Horse
Flávio Bolsonaro foi o primeiro a ser obrigado a explicar sua relação com Vorcaro. Áudios vazados em maio mostraram o senador pedindo recursos para o ex-banqueiro, que seriam destinados ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O ex-dono do Banco Master repassou R$ 61 milhões para a produção. Flávio afirmou que se tratavam de negócios privados e negou que houvesse qualquer irregularidade no pedido.
Durante entrevista à CNN após a revelação dos diálogos, o candidato se comprometeu a prestar contas sobre as despesas do filme. Ontem, ele recuou da promessa e se negou a esclarecer a situação.
O documento que veio a público foi apresentado em junho, anexado ao inquérito da polícia e aponta que o filme custou R$ 75 milhões, dos quais R$ 54 milhões foram gastos no exterior e R$ 20,9 milhões, no Brasil. Não há, porém, recibos nem notas fiscais dos gastos, nem detalhamento.
As campanhas adversárias têm usado esse fato para atacar Flávio.
Reunião de Lula com Vorcaro
O caso Master também respinga sobre o presidente Lula. O petista esteve com Vorcaro em dezembro de 2024, num encontro fora da agenda oficial. Também participou da reunião com Gabriel Galípolo, à época indicado à presidência do Banco Central. No encontro, Lula teria ouvido de Vorcaro relatos sobre a situação operacional do banco.
O mandatário também precisou responder sobre o assunto e minimizou o encontro. Em entrevista ao portal UOL, ele disse já ter se reunido com outros empresários e afirmou que Vorcaro esteve no encontro por meio do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Outro elemento que tem sido usado pelas campanhas adversárias é a investigação contra o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador recebeu vantagens econômicas de gestores do Master em possível contrapartida à atuação parlamentar em temas de interesse da instituição.
Entre elas, estão as tratativas da compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões para o senador.
Lula também tem sido alvo de campanhas adversárias por acusações contra o seu filho mais velho, o Lulinha. Ele é alvo de três inquéritos da PF. As apurações miram o suposto tráfico de influência e corrupção em prol de empresas junto ao governo federal. A defesa de Lulinha nega irregularidades na atuação dele.
Adversários na ofensiva
As campanhas adversárias de Lula focam no envolvimento do filho do presidente em investigações. O petista, no entanto, tem reforçado que acredita na inocência do filho, mas que a Polícia Federal deve investigá-lo se forem apresentados indícios de irregularidades.
Um dos pontos investigados é a relação de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger. Os dois são suspeitos de atuar para facilitar contratos de empresas com órgãos do governo federal. A empresária é acusada de trabalhar com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em outro ponto sensível para as campanhas.
Há um ano, a PF identificou um esquema de descontos associativos indevidos na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas.
O relatório aponta que Antunes é sócio de 22 empresas, e que "várias" teriam sido utilizadas nas fraudes. Segundo a PF, as empresas do "Careca do INSS" operaram como intermediárias dos sindicatos e associações, recebendo os recursos que eram debitados indevidamente dos aposentados e pensionistas, e repassando parte deles a servidores do Instituto ou familiares e empresas ligadas a eles.
A PF afirma que, ao todo, pessoas físicas e jurídicas ligadas ao "Careca do INSS" receberam R$ 53.586.689,10 diretamente das entidades associativas ou por intermédio de suas empresas.
Todos esses argumentos têm contribuído para refletir um equilíbrio e estagnação nas pesquisas de intenção de voto. A primeira pesquisa Datafolha realizada no período oficial da campanha presidencial foi divulgada na última sexta-feira (21) e mostra Lula com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 43% de Flávio Bolsonaro (PL). Os dois candidatos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.


