O Grande Debate: Atrito com Michelle prejudica Flávio ou nada muda?
Analistas debatem se a briga pública pode comprometer a candidatura presidencial do PL em 2026
O empresário Leonardo Bortoletto e a advogada Soraia Mendes debateram, na quinta-feira (25), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se o "atrito com Michelle prejudica Flávio Bolsonaro ou nada muda?"
Flávio Bolsonaro respondeu publicamente às acusações feitas por Michelle Bolsonaro, que publicou um vídeo afirmando ter sido desrespeitada e maltratada pelo enteado. Segundo Michelle, ele teria pedido que ela ficasse fora das decisões eleitorais do PL e declarado que ela não entende de política. O episódio gerou amplo debate sobre os possíveis impactos do conflito na corrida presidencial de 2026.
Em resposta, Flávio publicou um vídeo pedindo desculpas e reafirmando seu respeito pela ex-primeira-dama. "Nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Eu jamais faria isso com a esposa do meu próprio pai", declarou.
Ele acrescentou: "Em nenhum momento eu ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, eu peço desculpas." Flávio também renovou o convite para que Michelle participasse de uma reunião na quarta-feira seguinte, afirmando que "o diálogo, o respeito e a união vão ser sempre o melhor caminho".
Disputa política ou briga familiar?
A advogada Soraia Mendes avaliou que o vídeo de Michelle foi uma jogada política altamente calculada. "A Michelle Bolsonaro não trouxe seguramente questões familiares a público. Ela se colocou como um sujeito político, num vídeo muito bem pensado, muito bem produzido", analisou.
Para Mendes, Michelle atingiu diretamente o eleitorado que Flávio ainda precisa conquistar: as mulheres e o público evangélico. Ela também criticou a resposta de Flávio, classificando-a como carregada de "violência simbólica", por ele se colocar como vítima e desconsiderar Michelle como uma figura política habilidosa.
O empresário Leonardo Bortoletto concordou que o atrito prejudica Flávio, classificando a situação como "fogo amigo". Para ele, o episódio revela uma falha de comunicação do PL. "Se eu tenho um candidato à presidência da República pelo partido e tenho a maior liderança feminina deste partido, é impossível imaginar que terei sucesso na condução dessa campanha se, efetivamente, esses dois não estiverem alinhados", afirmou.
Bortoletto ressaltou que o partido precisa corrigir essa rota com urgência, pois a exposição pública do conflito coloca em risco não apenas a candidatura, mas a força de duas lideranças que carregam o mesmo sobrenome.


