O Grande Debate: Big techs têm poder de mexer com eleições?
Meta recebeu prazo de 24 horas do TSE para entregar relatório sobre o canal "Exército do Lula"; participantes discutem poder das plataformas digitais
O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, na quinta-feira (21), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se "big techs têm poder de mexer com eleições".
O poder das grandes empresas de tecnologia sobre o processo eleitoral brasileiro voltou ao centro do debate após o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), dar prazo de 24 horas para que a Meta entregue relatório técnico sobre a atuação do canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
A determinação atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que busca verificar se a empresa cumpriu o plano de conformidade entregue à Justiça Eleitoral. O Ministério Público também apontou falhas no tratamento dado pela Meta às campanhas eleitorais.
Interferência eleitoral e soberania nacional
José Eduardo Cardozo afirmou categoricamente que sim. "É evidente que sim. Hoje, boa parte das eleições é feita pelas redes sociais. E essas empresas têm um poder impressionante e tremendo", declarou.
Segundo ele, as plataformas "podem derrubar coisas, tirar situações e, claro, nunca vão assumir que fizeram isso de propósito. É sempre um problema técnico". Cardozo ressaltou que o problema se agrava quando as falhas técnicas parecem ocorrer sistematicamente apenas de um lado do espectro político.
Cardozo foi além e classificou a situação como uma ameaça à soberania do país. "É uma interferência empresarial indevida que pode influenciar a eleição de um presidente da República. Uma ofensa, inclusive, à nossa soberania, sob diversos aspectos", afirmou.
Para ele, isso inclui tanto a perspectiva internacional quanto a soberania popular, especialmente quando eleitores são induzidos ao erro por meio de desinformação ou pela supressão de canais de comunicação.
Regulamentação e omissão do Congresso
Leonardo Bortoletto também reconheceu o potencial das big techs de influenciar eleições, argumentando que toda concentração de poder pode, sim, alterar resultados. "Seria impensável dizer que as big techs em 2026, com a concentração de poder que têm, não podem influenciar uma eleição", afirmou.
Para ilustrar seu ponto, ele citou o episódio de 2014, quando foi registrada, em reunião interna do Partido dos Trabalhadores, uma declaração sobre a atuação de funcionários dos Correios em favor da ex-presidente Dilma Rousseff, então candidata do PT, na disputa contra Aécio Neves.
Bortoletto destacou ainda a ausência de regulamentação clara sobre o tema e responsabilizou o Congresso Nacional pela lacuna. "Por omissão, a gente não tem a regulamentação. Por não ter a regulamentação, a gente não tem muito claro como apurar", disse.
Ele ponderou, no entanto, que a empresa ainda está dentro do prazo de defesa e que é necessário aguardar o desfecho antes de emitir julgamentos definitivos. "Enquanto não aparecer a defesa final, eu não tenho como emitir opinião se está certo ou se está errado", concluiu.


