O Grande Debate: Qual o impacto da fala sobre urnas na campanha de Flávio?
Pré-candidato citou relatórios da CIA e levantou dúvidas sobre segurança das urnas eletrônicas em reunião com embaixadores
Os deputados federais Ricardo Salles (Novo-SP) e Maria do Rosário (PT-RS) debateram, na quarta-feira (22), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre "Flávio Bolsonaro: Qual o impacto da fala sobre urnas na campanha do senador?"
O senador Flávio Bolsonaro questionou a segurança das urnas eletrônicas do Brasil durante uma reunião com embaixadores, citando relatórios da CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos. O pré-candidato à presidência pelo PL também mencionou a empresa Smartmatic, afirmando que ela teria fabricado urnas para o Brasil — informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Em sua fala, Flávio afirmou não estar questionando o sistema de votação brasileiro, mas pediu que os países enviassem o maior número possível de observadores para as eleições nacionais, incluindo especialistas em tecnologia eleitoral. "Não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições", declarou.
A pré-campanha de Flávio divulgou nota afirmando que ele não questionou a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Segundo o documento, assinado por Flávio e por coordenadores de sua campanha, o senador citou apenas fatos públicos divulgados pela imprensa ao mencionar a inelegibilidade do pai e o relatório da CIA sobre fraudes nas eleições venezuelanas. A nota reafirma ainda a confiança no sistema eleitoral brasileiro e defende o estímulo à observação internacional para ampliar a transparência do processo eleitoral.
Maria do Rosário classificou a fala de Flávio como um ataque ao sistema eleitoral brasileiro. "Ele não questionou, ele atacou com fake news, com mentiras, o Brasil e o sistema eleitoral", afirmou. Para ela, o discurso seria semelhante ao adotado anteriormente por Jair Bolsonaro e representaria uma ação golpista.
A deputada também argumentou que o sistema eleitoral brasileiro é "100% auditável" e que as Forças Armadas já realizaram auditoria das urnas sem encontrar irregularidades.
Ricardo Salles avaliou que a fala de Flávio não terá grande impacto eleitoral. Segundo ele, parte da sociedade brasileira ainda tem dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas e questiona a resistência do Tribunal Superior Eleitoral em adotar um comprovante impresso do voto.
"O sistema eleitoral brasileiro traria muito mais estabilidade institucional se implementasse uma pequena impressora junto à urna eletrônica", defendeu Salles, ressaltando que não se trata de questionar a integridade do sistema, mas de aperfeiçoá-lo.
Impacto na campanha e possíveis alianças
Questionada sobre se a fala poderia isolar ainda mais a candidatura de Flávio e prejudicar eventuais alianças partidárias do PL, Maria do Rosário respondeu afirmativamente. "Quem é que quer estar associado a quem propõe, na verdade, o ataque ao sistema eleitoral, sabendo que este ataque resultou até mesmo numa tentativa real de golpe?", questionou.
Ela também relacionou o episódio a outras crises que, segundo ela, estariam impactando a campanha do pré-candidato.
Ricardo Salles, por sua vez, descartou que a declaração venha a isolar Flávio ou comprometer alianças. Para ele, a questão é pontual e o debate sobre o sistema eleitoral deve ser permitido em uma democracia.
"Os brasileiros têm direito, sim, de discutir esse assunto. Não é um assunto proibido, não há dogmas numa democracia", concluiu.

