Renan quer facções rivais presas juntas, fim de cotas e critica Trump à CNN
Candidato à Presidência pelo Missão foi o segundo entrevistado na série de sabatinas da CNN
O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, foi o segundo entrevistado da série de sabatinas da CNN Brasil nesta quinta-feira (3)
Renan defendeu que facções criminosas rivais sejam presas juntas, disse ser contra o sistema de cotas raciais e fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Crime organizado
Ao falar sobre facções criminosas, Renan disse que os integrantes das organizações devem ser presos juntos, usando o modelo de El Salvador como referência. "O cara que pertence ao CV (Comando Vermelho) vai estar junto com um do PCC (Primeiro Comando da Capital), El Salvador fez isso com sucesso", pontuou.
Sobre possíveis brigas entre os integrantes, o candidato disse que "o agente da penitenciária tem que impedir que um coleguinha bata no outro, é questão de punir lá dentro se estão arrumando briga. Temos que estabelecer disciplina e que venham a trabalhar lá dentro".
Como proposta de governo, o candidato defendeu a criação de 300 mil vagas de presídios, com cadeias capazes de abrigar 30 mil detentos. "Precisa de esforço nacional", disse.
Depois, foi questionado sobre a possibilidade desses presídios formarem uma nova facção, como aconteceu com o PCC, que nasceu dentro dos centros de detenção de São Paulo.
"O mundo inteiro tem grandes cadeias e presídios e consegue escapar desse problema, é que nós que escolhemos não combater o crime", respondeu.
No mesmo tópico, o candidato do Missão chegou a citar o escritor Karl Marx para defender a criminalização de músicas que fazem apologia a facções, ao ser indagado sobre sua fala de "não haver funk nas escolas".
Ele recorreu às ideias do filósofo alemão para dizer que “a cultura também é determinada pela estrutura econômica” e que ela “determina a estrutura da favela”.
“Eu não acredito que um tipo de música que é construído como instrumento de propaganda para facção criminosa e que faz uso dessa propaganda para manter a dominação territorial deva ser aceito como a música que impulsiona o imaginário dessa criança”, disse.
Renan pontuou, no entanto, que sua proibição em relação aos ritmos musicais não se restringe ao funk, mas sim a qualquer música que faça apologia ao crime, seja o ritmo que for.
"Vou determinar que membros de facção que divulgam suas musicas, em qualquer ritmo, serão presos, não podemos permitir quando estamos em guerra contra o crime", afirmou.
Cotas raciais
Em relação às cotas, Renan disse ser contra porque são "injustas" e atendem somente as pessoas de classe média, na visão dele.
"É uma transição para desaparecer, acho sistema de cotas injusto. [Defendo uma] leve transição, mas rápida, transição de 5 anos até o fim das cotas, mas precisamos formar os melhores alunos", explicou.
Na ocasião, o candidato defendeu que sejam criadas novas políticas educacionais, pois a "desigualdade não está diminuindo".
Segundo Renan, seu plano de governo foca em melhorar o aprendizado das crianças desde cedo, pensando em um sistema que premie as famílias pelo desempenho dos filhos na escola, com benefícios como bolsas de estudos que coloquem esses alunos em posição de competir com outros, no futuro, oriundos de escolas privadas.
"Em 2011 vieram as cotas, a desigualdade racial aumentou porque as pessoas que acessam as universidades via cotas são de classe média. Temos que emancipar, alfabetizar crianças, ter escola como centro de educação, acabar com resistência a metas nas escolas... Isso aprendi com Paulo Cruz, que antes de ser um professor negro e contra cotas, ele é professor de escola pública", defendeu.
Paulo Cruz foi anunciado pelo candidato nesta quinta-feira como o nome escolhido para chefiar o MEC (Ministério da Educação), caso seja eleito.
Críticas a Trump
Ao longo da sabatina, Renan também teceu críticas ao presidente dos Estados Unidos, dizendo que ele "vem se comportando muito mal nessas eleições".
Ao ser questionado para qual chefe de Estado ele ligaria caso fosse eleito, Renan disse que ligaria para sua mãe.
"Agora, chefe de Estado, ainda não pensei, definitivamente não será para o Trump, que vem se comportando de maneira muito errada nessas eleições", afirmou.
Antes, ao falar a posição do presidente da República em relação às políticas de meio ambiente, o candidato também mencionou o norte-americano, afirmando que ele tem que ser colocado "no lugar dele".
"O garimpo clandestino tem que ser combatido e o governo tem que mostrar ao mundo que combate. Feita a lição de casa, aí tem que virar para figuras como o Donald Trump e botar ele no lugar dele. O agro americano compete com o agro brasileiro e perde", declarou.
Nova Constituição
O coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre) ainda pediu a criação de uma nova Constituição para o país após ser questionado sobre a inclusão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), no inquérito das Fake News relatado por Alexandre de Moraes.
"Próximo governo precisa fazer duas coisas: não pode aceitar decisão oriunda de Dias Toffoli e [Alexandre de] Moraes, por que todas as ações são endereçadas a proteger Vorcaro e escândalo de corrupção. E dois, precisamos discutir uma nova Constituição, o pacto de [19]88 acabou", explicou. "Todo sistema político e do judiciario atua a favor da impunidade."
Sabatinas CNN
A CNN Brasil iniciou uma série de entrevistas com os candidatos à Presidência da República na quarta-feira (2). O primeiro sabatinado foi Ronaldo Caiado (PSD), e o segundo, Renan Santos nesta quinta.
As sabatinas com os presidenciáveis são realizadas ao vivo pelo âncora do CNN Prime Time, Márcio Gomes, e pela analista de Política da CNN e da Itatiaia, Edilene Lopes, sempre às 21h, com transmissão simultânea pela TV, YouTube e demais plataformas da CNN Brasil.
Foram convidados os seis primeiros colocados no Índice CNN Brasil, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.
Romeu Zema (Novo) participa na sexta-feira (4), e Augusto Cury (Avante) fecha a série na segunda-feira (7).
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL) ainda não confirmaram.


