Valdemar diz que Flávio deve focar propostas e evitar ataques a Lula
Presidente do PL afirma que pré-candidato prepara plano de governo e pede união interna
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio Bolsonaro deve priorizar a apresentação de propostas e evitar ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. A declaração foi feita durante evento com empresários em São Paulo.
“Flávio vai ter que mostrar o que ele vai fazer. Não deve estar atacando o Lula, não deve perder tempo com isso. Ele tem que dizer o que vai fazer”, afirmou.
Segundo Valdemar, o pré-candidato já trabalha na elaboração de um plano de governo com foco em propostas viáveis. “Ele está se preparando para isso. Nós temos tempo, está fazendo o plano de governo para apresentar algo que seja real”, disse.
O dirigente também avaliou que a eleição será acirrada e pode ser decidida por pequena margem de votos. Além disso, destacou a necessidade de união dentro do grupo político. “Se não resolvermos esse problema dentro da família, o Eduardo Bolsonaro não volta mais para o Brasil. Nós temos que ganhar as eleições”, afirmou.
Pesquisas eleitorais recentes mostram que a disputa entre Flávio e Lula em ambos os turnos das eleições deve ser apertada. O pleito ocorre em outubro deste ano.
De acordo com levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta segunda (30), Lula tem 41,3% contra 37,8% de Flávio no primeiro turno. Os números representam empate técnico entre os dois, que aparecem como os primeiros colocados.
Já pesquisa Nexus também publicada nesta manhã mostra um empate entre ambos no segundo turno: os dois aparecem com 46% das intenções de voto.
Valdemar disse ainda que a equipe da campanha de Flávio avalia o atual cenário de empate. De acordo com ele, o próprio governo “colabora muito” com o crescimento do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na opinião pública por “tudo o que tem acontecido no país”.
As declarações foram dadas por Valdemar durante participação de encontro promovido pelo Grupo Lide, em São Paulo.
Propostas de governo de Flávio
Até o momento, Flávio tem evitado dizer quem deve integrar sua equipe, caso seja eleito nas eleições. O senador já afirmou que, primeiro, deve terminar de elaborar o seu plano de governo e, depois, identificar quem seriam os nomes mais adequados para cada ministério.
A CNN apurou que aliados do senador avaliam adiar em cerca de três meses o lançamento do programa de Flávio. A promessa era divulgar os pontos principais no fim deste mês, mas, com a alta do congressista nas pesquisas, a avaliação de interlocutores é de que o lançamento seja apenas em junho.
A decisão se dá ao fato de que, em um aceno ao mercado, parte das propostas envolve questões impopulares, como reformas macroeconômicas e uma remodelação do arcabouço fiscal.
No que diz respeito à economia, Flávio já disse que dará continuidade ao que foi feito por Paulo Guedes, que foi ministro da Economia no governo Bolsonaro.
Apelidado de “superministro” por Bolsonaro, Guedes privatizou a Eletrobras e não pagou R$ 90 bilhões em precatórios, dívidas judiciais devidas pelo governo federal, que ficaram para a próxima gestão.
Na área da segurança pública, o ministro tem defendido a criação de um ministério voltado apenas para o tema.
A proposta também foi promessa de campanha de Lula em 2022 — mas não se concretizou. Com o debate focado na questão do crime organizado em 2025, o atual chefe do Executivo voltou a tocar no assunto, mas condiciona a criação à aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública.
Quanto à exploração de minerais críticos no Brasil, Flávio deixou a entender no último final de semana que pretende ter uma postura mais aberta a investimentos por parte dos Estados Unidos na área. O senador afirmou que o Brasil é a solução para a Casa Branca “quebrar a dependência da China” pelas terras raras.
O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo dos minerais críticos, considerados essenciais para a produção de veículos elétricos e de armas modernas. A posição defendida pelo governo atual é a do multilateralismo. Para Lula, o Brasil não deve fechar negócio com apenas um país e, além disso, deve exigir que o processo de industrialização desses minérios ocorra no Brasil para agregar valor à economia brasileira.


