Quem é Louise Glück e quais as principais obras da poetisa


Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
08 de outubro de 2020 às 10:52 | Atualizado 08 de outubro de 2020 às 16:10
Louise Glück ganhou o prêmio Nobel de Literatura 2020

Louise Glück ganhou o prêmio Nobel de Literatura 2020

Foto: Divulgação / Universidade de Yale

O prêmio Nobel de Literatura deste ano foi dado à poetisa Louise Glück, de 77 anos, “pela voz poética inconfundível que, com beleza austera, torna a existência individual universal”.

Nascida em Nova York, nos Estados Unidos, em 1943, ela estreou na literatura em 1968 com o livro Firstborn (Primogênito, em tradução livre) e logo passou a ser aclamada como uma das poetisas mais proeminentes da literatura contemporânea norte-americana.

Ao longo da carreira, ganhou um Pulitzer (maior prêmio do jornalismo) em 1993, um National Book Award (um dos prêmios literários mais importantes dos EUA) em 2014, e agora um Nobel de Literatura.

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Livros da poetisa norte-americana Louise Glück

Livros da poetisa norte-americana Louise Glück

Foto: Henrik Montgomery - 08.out.2020 / Reuters

Glück já publicou 12 coleções de poesias e alguns volumes de ensaios poéticos. Segundo a Fundação Nobel, os principais temas trabalhados por ela nas obras são infância, vida familiar e relacionamento próximo com a família e irmãos, inspirando-se em mitos e clássicos da literatura.

Com as obras The Triumph of Achilles (O Triunfo de Aquiles, em tradução livre), de 1985, e Ararat, de 1990, a poetisa conquistou fãs nos EUA e em outros países. 

A Fundação Nobel afirmou que ela "não apenas é engajada nas errâncias e mudanças nas condições de vida, mas também é uma poetisa da mudança radical e do renascimento, onde o salto para frente é dado a partir de um profundo sentimento de perda".

Atualmente, além de poetisa, Glück também é professora de Inglês na Universidade de Yale, nos EUA. As obras dela – em inglês – já foram traduzidas para espanhol, sueco e alemão. 

Maturidade poética

Para Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras, Louise Glück é parte de uma grande família de poetas norte-americanos e tem uma maturidade poética única.

"Ela tem uma marca especial, própria, atravessada por todas as dúvidas da modernidade, com poucas certezas e com um desejo de encontrar-se dentro de seu labirinto", afirmou ele. Como obras de destaque da norte-americana, Lucchesi citou The triumph of AchillesVita Nova (1999).

"O prêmio exprime a maturidade da poesia norte-americana em uma voz feminina de altíssimo valor", disse ele. "Se me dissessem 'resuma em poucas palavras', eu diria que ela tem todas as vozes graves, trombone, contrabaixo, violoncelo e a gravidade, mas com voz de flauta, delicadíssima."

Para o presidente da ABL, Glück trata de temas muito duros, mas "eles não precisam sair com sangue, como um drama irreversível". "Saem com uma voz de flauta, não sei de flauta doce ou de oboé, mas alguma coisa mais leve e delicada", afirmou.

Principais obras

Firstborn (Primogênito, em tradução livre) - 1968

A primeira coleção de poemas de Glück trata de temas como devastação de terras, vidas perdidas das pessoas com deficiências físicas, falta de esperança e de amor. Apesar de duros e impiedosos, os poemas são classificados como cheios de vida. 

The Triumph of Achilles (O Triunfo de Aquiles, em tradução livre) - 1985

Aqui, a poetisa fala sobre realidade, percepção, envelhecimento, religião, amizade, amor, mitos, sonhos, natureza, luto e esperança. Também aborda arquétipos do mito clássico, contos de fada e até a Bíblia. 

Ararat - 1990

A obra é um retrato investigativo de família, marcado por ironia, pela vida vazia do pai e a falta de habilidade da mãe em expressar emoções. De forma geral, trata de amor e entendimento.

The Wild Iris - 1992

Em uma das obras mais elogiadas de Glück, com a qual ganhou o Pulitzer, ela descreve o milagroso retorno à vida após um período de inverno no poema "Snowdrops". O livro faz uma espécie de análise do relacionamento entre humanos e a natureza, sem deixar de lado temas como mortalidade, consciência, identidade e amor.

Vita Nova - 1999

Livro fala de mortes e começos, resignação e esperança, passando pelo paradoxo essencial humano. A obra termina com: "Pensei que minha vida tinha acabado e meu coração estava quebrado / então me mudei para Cambridge". O título Vita Nova remete ao clássico La Vita Nuova, do escritor italiano Dante Alighieri.

Averno - 2006

Averno é um pequeno lago em uma cratera no sul da Itália, considerado pelos antigos romanos como a entrada para o submundo. O local dá origem ao nome da obra, marcada por extensa lamentação e a dureza do tempo presente. A coleção é vista como uma interpretação visionária do mito de Perséfone, que desceu ao inferno para capturar Hades, deus da morte. 

• Faithful and Virtuous Night (Noite fiel e virtuosa, em tradução livre) - 2014

A obra com a qual Glück ganhou o National Book Award fala sobre morte com graça e leveza. O texto remete a memórias e viagens em uma narrativa misteriosa e emocionante.