Representante da Universal Music depõe sobre materiais inéditos de Renato Russo

A audição durou cerca de duas horas, e o representante chegou acompanhado de dois advogados da gravadora.

Luiza Muttoni, da CNN, no Rio de Janeiro
16 de dezembro de 2020 às 18:44 | Atualizado 16 de dezembro de 2020 às 19:03

 

No andamento do inquérito que investiga materiais inéditos do cantor e compositor Renato Russo, Afridsman Muzzy Neto, diretor financeiro e administrativo da gravadora Universal Music Brasil, depôs na tarde desta quarta-feira (16), na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

A audição durou cerca de duas horas, e o representante chegou acompanhado de dois advogados da gravadora. Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo e detentor dos direitos autorais do pai, denunciou à Polícia Civil, há um ano, a suspeita de ocultação de músicas inéditas.  

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Desde então, diversos endereços foram alvos de buscas, e os investigadores ouviram testemunhas, entre elas, um produtor musical que havia trabalhado com Renato Russo antes do músico morrer, em 1996, aos 36 anos.

O delegado Maurício Demétrio diz que o processo está em fase final, e que nas próximas semanas um representante da antiga gravadora EMI (que tinha contrato com o Legião Urbana e foi comprada pela Universal Music) será intimado e ouvido.

“Este será o depoimento derradeiro das investigações”, explicou o deligado.

Material inédito apreendido

No dia 9 de dezembro, a Polícia Civil desencadeou a Operação Tempo Perdido, um desdobramento da Operação Será?, que apreendeu 91 fitas com material inédito de Renato Russo.

As gravações foram localizadas em um depósito no bairro de Cordovil, na Zona Norte do Rio, que havia sido contratado pela Universal Music para o armazenamento.

O advogado Pedro Maurity, que representa a gravadora, informou que o material apreendido tem valor “financeiro e histórico para a gravadora”.

Ao sair do depoimento, ele disse à imprensa: “Hoje a gravadora anexou documentação e contratos que comprovam que todo material apreendido é de propriedade exclusiva da Universal. Nos preocupamos com o armazenamento do material e esperamos reavê-lo o quanto antes, nas mesmas condições”.

O delegado Maurício Demétrio, no entanto, informou que as fitas ficaram apenas um dia armazenadas na delegacia, acondicionadas de forma adequada, e que depois foram encaminhadas à um depósito em São Paulo, contratado por Giuliano Manfredini.