Afinal, é preciso pagar para desfilar em uma escola de samba?

Para muitos, desfilar em uma agremiação, seja em São Paulo ou Rio de Janeiro, é a realização de um sonho

Caroline Ferreira, da CNN, São Paulo
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Seja no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, ou na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, desfilar em uma escola de samba costuma ser a realização de um grande sonho para aqueles que são apaixonados pelo Carnaval.

No entanto, a experiência única e emocionante é normalmente atravessada por uma série de dúvidas, especialmente quanto aos valores pagos para pisar na avenida dos sambistas, exaltando o pavilhão com as cores da escola.

Então, como desfilar?

À CNN, Anselmo Fernandes, diretor de alas da Dragões da Real, escola do grupo especial de São Paulo, que se consagrou vice-campeã em 2024, explicou a dinâmica da agremiação.

"Basicamente, bateria, baianas, passistas, alas coreografadas e grupos cênicos de carros alegóricos não pagam fantasia. Os componentes interessados passam por uma triagem de aptidão e assiduidade para desfilar", conta.

Enquanto isso, as alas comerciais, ou seja, disponíveis para venda, são repassadas a preço de custo no valor de R$ 100.

"Aí, os coordenadores estipulam um valor no qual já está incluso a carteirinha da escola, camiseta oficial da ala e um eventual evento que o grupo venha a fazer ao longo do ano", acrescenta.

"Neste ano, o preço máximo atingiu R$ 250, com tudo incluso, para tonar acessível a todos. Além, é claro, da assiduidade, que é extremamente importante para os quesitos de harmonia e evolução da escola", garante.

Ainda segundo Anselmo, em 2024 a Dragões da Real trabalhou com 14 alas comerciais. "Uma informação importante é que recepcionamos as fantasias após o desfile para a reciclagem de alguns materiais", finaliza.

Compromisso com a escola

Fugindo da estratégia usada pela coirmã, a Acadêmicos do Tatuapé, que ficou com a terceira colocação neste ano, por exemplo, não trabalha com alas comerciais.

De acordo Fábio Batista, assessor de imprensa da escola, as fantasias são consignadas aos associados, com o compromisso de devolução e participação nos ensaios ao longo do ano.

"O custo da associação em 2024 foi de R$ 120, e o associado não paga a entrada nos ensaios", diz em nota.

Portanto, caso queira desfilar em alguma escola especifica, é preciso entender a dinâmica das fantasias e ver se cabe tanto no bolso quanto os ensaios na agenda.

E no Rio?

Em solo carioca, a dinâmica em algumas agremiações é similar. Na Imperatriz Leopoldinense, atual vice-campeã, todas as fantasias são cedidas para a comunidade, de acordo com a assessoria de imprensa da escola.

Já a Acadêmicos do Grande Rio, de Caxias, conta com apenas uma ala comercial há cinco anos. O valor cobrado em 2024 foi de R$ 1800, levando em consideração o alto custo da roupa e da mão de obra trabalhosa neste ano em que a escola levou para a avenida o enredo "Nosso Destino É Ser Onça", garantindo o terceiro lugar ao final da apuração.

 

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