Antes de estreia nos EUA, brasileira fala sobre representatividade nos palcos

Bailarina Ingrid Silva interpreta em Washington a "Fada Açucarada", um dos principais papéis da peça "O Quebra Nozes"

Fernanda PinottiLayane Serranoda CNN

Em São Paulo

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A bailarina e ativista brasileira Ingrid Silva estreia nesta sexta-feira (19) no elenco da peça “O Quebra Nozes” em Washington, nos Estados Unidos como a “Fada Açucarada”, um dos principais papéis da produção.

Em entrevista à CNN, ela destacou a importância da representatividade na peça. “Não só para ela, mas para todas as outras meninas que vão estar assistindo o espetáculo também”, explica, se referindo a sua filha Laura.

“Ver alguém que se pareça com elas é de uma responsabilidade muito grande, e eu estou muito feliz de ser essa pessoa hoje.”

Silva diz que desde criança tinha o sonho de participar da peça “O Quebra Nozes”. Ela conta que é importante ter essa referência desde pequena, mas que na época não se enxergava nesses espetáculos. “Eu não via ninguém que se parecesse comigo.”

Ela também relembra seu início na dança, através de um dos primeiros projetos sociais em comunidades no Rio de Janeiro, o “Dançando para não dançar”. A bailarina conta a importância do projeto na ascensão social e de sua trajetória no livro “A sapatilha que mudou meu mundo”.

À CNN, Silva disse que só descobriu a existência de meia-calça e sapatilha escuras, da cor da sua pele, quando entrou para uma companhia de dança norte-americana. Em 2019, pela primeira vez, ela recebeu uma sapatilha feita com a sua tonalidade.

“Isso não foi só uma vitória, mas foi um marco muito grande, porque as minhas sapatilhas foram parar em um museu em Washington, o Smithsonian. Duas conquistas muito importantes”, diz.

A bailarina ressalta que suas sapatilhas não representam apenas ela, mas todas as pessoas que sonhavam em ser profissionais da dança e não tiveram essa oportunidade.

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