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    Conheça Xica Manicongo; primeira travesti do Brasil inspira enredo do Tuiuti

    Escola de samba divulgou escolha do samba-enredo "Quem tem medo de Xica Manicongo?" nesta sexta-feira (5)

    Tuiuti vai homenagear a história da primeira travesti não-indígena do Brasil, Xica Manicongo.
    Tuiuti vai homenagear a história da primeira travesti não-indígena do Brasil, Xica Manicongo. Reprodução/ Instagram

    Fernanda Pinottida CNN em São Paulo

    A história de Xica Manicongo, considerada a primeira travesti não indígena do Brasil, será homenageada pelo enredo do Paraíso do Tuiuti no Carnaval de 2025.

    A escola de samba divulgou nesta sexta-feira (5) a escolha do samba-enredo “Quem tem medo de Xica Manicongo?” para levar à avenida no ano que vem.

    O anúncio foi aplaudido pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), a primeira transexual eleita para o Congresso Nacional ao lado de Duda Salabert (PDT-MG), em 2022.

     

    “Xica teve sua história apagada por séculos, e o resgate de sua memória é também o fortalecimento das pessoas LGBTQIA+ perante aqueles que até hoje querem nos ver na fogueira”, comemorou a deputada.

    Conheça a história de Xica Manicongo, considerada a primeira travesti do Brasil

    Xica foi trazida do Congo para ser escravizada em Salvador no século 16 e se recusava a vestir trajes ligados ao imaginário do guarda-roupa masculino da época.

    Documentada como um homem homossexual, a africana teve sua história relida e foi classificada como travesti apenas na década de 2000, pela ativista negra Majorie Marchi. Desde então, Manicongo foi abraçada pela comunidade de travestis e transexuais como símbolo de resistência.

    Ela trabalhou como sapateira na capital baiana e, como suas roupas e modos não eram considerados adequados a um homem, foi acusada de sodomia e de fazer parte de uma quadrilha de feiticeiros sodomitas.

    Após ser denunciada, Xica foi julgada pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, instituição da Igreja Católica responsável por punir crimes de heresia, e condenada à pena de ser queimada viva em praça pública e ter seus descendentes desonrados até a terceira geração.

    Em uma tentativa de escapar da pena imposta pela Igreja, Xica abdicou de sua identidade feminina e passou a se vestir e se comportar como um homem da época.