Família de fuzileiro naval morto processa Alec Baldwin em US$ 25 milhões

Ator republicou post da irmã do soldado durante protestos no Capitólio em 2021; família afirma que vem recebendo mensagens de ódio e ameaças de morte

Ator norte-americano Alec Baldwin
Ator norte-americano Alec Baldwin 23/01/2019 Alex Tabak /Pool via REUTERS

Michelle Watsonda CNN

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O ator Alec Baldwin está sendo processado por difamação e negligência pela família de um fuzileiro naval morto, após comentários feitos sobre a presença de um membro da família do soldado fora do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021, de acordo com um processo aberto na segunda-feira no Tribunal Distrital de Wyoming, nos Estados Unidos.

As irmãs e a viúva do fuzileiro Rylee J. McCollum, que morreu em 26 de agosto de 2021 durante um ataque suicida em Cabul, no Afeganistão, estão pedindo US$ 25 milhões (cerca de R$ 136 milhões) mais honorários advocatícios, depois de sofrer severa angústia com os comentários de Baldwin, de acordo com o processo judicial.

Após a morte de McCollum, uma conta no GoFundMe foi aberta para a viúva Jiennah McCollum “e sua filha prestes a nascer”, diz o processo. Baldwin ouviu falar da conta do GoFundMe e enviou um cheque de US$ 5 mil (o equivalente a R$ 27,2 mil) para a irmã do fuzileiro naval, Roice McCollum, para Jiennah e a filha, como o que ele chamou de “uma homenagem a um soldado morto”, de acordo com o processo.

Em 3 de janeiro, Roice “publicou uma foto de uma multidão de manifestantes no Monumento a Washington em sua página do Instagram em antecipação a 6 de janeiro de 2022, aniversário de um ano de sua participação na manifestação em Washington, DC”, diz o processo.

Em 6 de janeiro de 2021, centenas de apoiadores do então presidente Donald Trump se reuniram do lado de fora do Capitólio para protestar contra o Congresso, que certificava os resultados das eleições de 2020.

Muitos manifestantes empurraram barricadas e policiais para entrar no prédio, invadindo algumas das câmaras mais sagradas da democracia americana e desencadeando ondas de violência e divisão em todo o país. As consequências daquele dia continuam a reverberar até hoje.

Quando Baldwin viu o post de Roice sobre o aniversário de um ano, ele começou a enviar mensagens para ela no Instagram, de acordo com o processo.

“Quando enviei o dinheiro para o seu falecido irmão, por verdadeiro respeito pelo serviço prestado a este país, eu não sabia que você era uma das desordeiras de 6 de janeiro”, disse Baldwin, de acordo com o processo.

Roice “nunca foi detida, presa, acusada ou condenada por qualquer crime associado à sua participação no evento de 6 de janeiro de 2021 em Washington, DC”, diz o processo.

De acordo com o processo, ela respondeu a Baldwin que: “Protestar é perfeitamente legal no país e eu já estive com o FBI. Obrigada, tenha um bom dia!”

Ainda segundo o documento, Baldwin respondeu: “Acho que não. Suas atividades resultaram na destruição ilegal de propriedade do governo, na morte de um policial, em um ataque à certificação da eleição presidencial. Repostei sua foto. Boa sorte”.

A CNN entrou em contato com o advogado de Baldwin para comentar sobre isso.

Aproximadamente 20 minutos depois que Baldwin postou o “feed do Instagram” de Roice, ela “começou a receber mensagens hostis, agressivas e odiosas dos seguidores de Baldwin”, alega o processo.

A postagem no Instagram de Baldwin, que mais tarde foi excluída por ele, dizia: “Muitos Trumpistas aparecendo aqui com o grito atual de que o ataque ao Capitólio foi um protesto, (uma forma mais pacífica que prendeu muitos outros manifestantes) e um exercício de democracia. Isso é besteira”.

O post dele continuou dizendo: “Eu fiz algumas pesquisas. Descobri, no IG, que essa mulher [Roice McCollum] é a irmã de um dos homens que foi morto”, em Cabul, no Afeganistão.

“Eu me ofereci para enviar a sua cunhada [Jiennah McCollum] algum $ como um tributo ao seu falecido irmão, sua viúva e seu filho. E foi o que eu fiz. Como um tributo a um soldado morto. Então eu encontro isso. A verdade é mais estranha que a ficção”, acrescentou ele em no post.

O processo diz que Baldwin “compreendeu inequivocamente que, ao repostar o feed do Instagram de Roice para sua rede de 2,4 milhões de seguidores que têm ideias semelhantes e postar seu comentário, resultaria em ameaças e ataques de ódio como aconteceu”.

Horas após a postagem de Baldwin, a outra irmã do soldado, Cheyenne, e a viúva, Jiennah, começaram a receber “mensagens de ódio e até ameaças de morte”, diz o processo.

“Nem Cheyenne, nem Jiennah” estavam em Washington, DC, em 6 de janeiro de 2021, acrescenta o processo.

Jiennah recebeu uma mensagem na quinta-feira chamando-a de “racista”, disse um dos advogados da família, Dennis Postiglione. Jiennah é negra, falou Postiglione por telefone.

“Eu apoiei com gratidão a campanha GoFundMe enquanto, simultaneamente, não sabia que a mulher que abordei é uma insurrecionista. Acho isso… notável”, disse Baldwin, de acordo com o processo.

O processo diz que Baldwin está “bastante ciente” do peso de sua fama e notoriedade. A família está pedindo um julgamento por júri, de acordo com o processo. Além de negligência e difamação, eles também estão processando Baldwin por invasão de privacidade e imposição intencional de sofrimento emocional.

“[In]dependentemente da política de uma pessoa, o que Baldwin fez aqui nunca deveria ser permitido. Ele é uma das pessoas mais conhecidas do país e tem seguidores na rede social cinco vezes a população do Estado de Wyoming. Ele abusou dessa plataforma de bom grado e colocou os McCollum no inferno em um momento em que eles apenas começaram a lidar com a morte de Rylee”, disse Postiglione em um comunicado à imprensa.

Esta não é a única batalha legal em que Baldwin está envolvido.

No mês passado, o ator entregou seu celular a policiais como parte de uma investigação sobre o tiro que matou Halyna Hutchins no set de gravações do filme “Rust”. Ele também está sendo processado pelo membro da equipe Serge Svetnoy por negligência.

Baldwin havia dito anteriormente que “nunca apontaria uma arma para ninguém e depois puxaria o gatilho”, durante uma entrevista com George Stephanopoulos, da ABC, em dezembro. De acordo com documentos judiciais, Baldwin disse que ele acreditava que a arma não tinha munição real. Seu advogado disse que Baldwin está cooperando com as autoridades na investigação do tiro fatal.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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