"No Espaço Entre Nós": audionovela mostra o amor entre psicóloga e uma IA
Produção dirigida por Bianca Comparato e estrelada por Alice Carvalho e Alanis Guillen chega à Audible nesta sexta (29), Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

A audionovela "No Espaço Entre Nós" foi lançada nesta sexta-feira (29), data que marca o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. A produção da Audible, produtora e distribuidora de conteúdos em áudio da Amazon, é estrelada pelas atrizes Alice Carvalho, 29, e Alanis Guillen, 27, e conta com a direção geral de Bianca Comparato, 39.
A trama conta uma história de amor sáfico entre Lilith (Alice Carvalho) e Maitê Rangel (Alanis Guillen) com um toque de ficção científica. A primeira é uma inteligência artificial (IA) que vive isolada em uma missão espacial; a segunda, por sua vez, é uma psicóloga que desenvolveu um método para ajudar a saúde mental de tripulações espaciais.
"No Espaço Entre Nós" marca a estreia de Bianca Comparato na direção de uma história de ficção. A estrela de "3%" e "João Sem Deus" já colecionava muitos trabalhos como atriz e produtora até embarcar de cabeça na nova função e enfrentou o receio que tinha de ter que parar suas atividades para focar em um projeto com a minúcia que um diretor precisa para comandar uma produção.
"Eu falava: 'cara, eu vou ter que parar tudo da minha vida para dirigir'. Porque dirigir é intenso, você vê cada detalhe das coisas. E o que mais me surpreendeu na direção, que eu não podia esperar, é que eu consegui conciliar com outras coisas da minha vida", contou à CNN. "Eu aprendi no trajeto que o diretor não tem que saber fazer tudo. Ele tem que saber escolher a sua equipe bem e saber juntar pessoas."
"É a magia da direção. É e deixar que as pessoas brilhem cada uma na sua função, criem junto. Então, para mim isso foi o maior aprendizado. Tinha um grande medo que no final foi meu maior aliado", declarou.
Peculiaridades de uma produção em áudio
A tarefa de dirigir um projeto em áudio foi, para Bianca, como voltar às raízes da dramaturgia e reencontrar a radionovela — gênero que fazia sucesso do Brasil antes das telenovelas. À CNN, ela contou que precisou pensar todo o projeto para que ele funcionasse em toda sua plenitude no áudio.
"Se eu tivesse filmando, eu teria dirigido de outra forma. Como, por exemplo. a emoção do luto da Maitê [Alanis Guillen]. Pedi para a Alanis me dar o som do choro, que, se tivesse em imagem, provavelmente teria ficado ruim. Aqui eu falei: 'Me dá uma fungadinha, sabe?'", explicou.
Por outro lado, Bianca celebrou a gama infinita de possibilidades que uma produção em áudio pode oferecer à diretora. Sem tantas restrições orçamentárias, ela conseguiu criar uma série espacial, que, se fosse filmada, seria muito cara.
"Posso fazer uma série que se passa no apartamento ou no espaço e é o mesmo orçamento. Me dá liberdade. Quem diria que ia poder fazer uma série sobre uma astronauta que é uma IA e caber no orçamento?", disse a diretora.
Ela também celebrou o fato de conseguir criar uma produção sobre amor sáfico com profundidade, que trouxesse para o centro da discussão as especificidades dos relacionamentos lésbicos.
"isso talvez não aconteça tanto hoje, porque às vezes essas histórias estão à margem. E, quando ela tá à margem, a margem mesmo é mais rasa do que o meio do rio. Se você bota elas no meio do rio da história, você consegue descer lá embaixo com todo mundo. Você consegue se relacionar e normalizar uma coisa que é normal e que não é tão nicho assim. Ela é colocada no nicho, mas acho que em números ela não é", defendeu Bianca.
A mente por trás da história
A criadora da história é a escritora Elayne Baeta, que se tornou o principal nome da literatura sáfica nacional. São delas as histórias de amor entre mulheres lésbicas contidas em livros como "O Amor Não É Óbvio" e "Coisas Óbvias Sobre o Amor".
À CNN, Elayne contou que foi convidada pela Audible para o projeto e, nele, enfrentou pela primeira vez a experiência de criar personagens que iriam além das páginas de um livro.
"É a primeira vez que as minhas personagens têm cordas vocais e elas falam e elas têm sotaque, elas têm jeito de falar. Então, eu achei muito mágico, não me acudiu, assim, não me deixou aflita. Me expandiu assim e eu topei o desafio assim de cara. Falei: 'Cara, só me dá um tempo aí que vai sair alguma coisa'", afirmou a escritora.
Após criar uma história de amor entre uma psicóloga espacial e uma IA, Elayne defende a importância de histórias tao diversas serem produzidas.
"Quem se abre para ouvir uma história, para ler uma história diversa, só tem a ganhar. É importante que as nossas identidades sejam reconhecidas em trabalhos como esses, que as pessoas vejam que a nossa forma de amar, apesar das suas diferenças, tem tanta semelhança."


