Obra de Klimt 'desaparecida' há quase um século pode ser vendida por R$ 265 mi


Um retrato de Gustav Klimt, do qual não se tem notícias há quase um século, poderá valer vários milhões quando for leiloado.
O "Retrato de Fräulein Lieser", considerado uma das últimas obras do pintor austríaco, deverá arrecadar R$ 265 mi em uma venda que gerou grande entusiasmo no mundo da arte.
Segundo a casa de leilões vienense im Kinsky, a pintura foi considerada perdida por muito tempo. No entanto, foi descoberto que se tratava de uma propriedade privada de um cidadão austríaco.
“A redescoberta deste retrato, um dos mais belos do último período criativo de Klimt, é uma sensação”, afirmou a casa de leilões num comunicado de imprensa no seu site.
A peça intensamente vívida e colorida foi documentada em catálogos do trabalho do artista, mas os especialistas só a viram em uma fotografia preto e branco.A pintura, descrita como uma “sensação”, deverá arrecadar até R$ 265 mi quando for colocada à venda em abril deste ano.
A modelo da obra era membra de uma rica família judia austríaca que fazia parte da alta classe da sociedade vienense, onde Klimt encontrou seus patronos e clientes. No entanto, sua identidade não é totalmente certa.
Os irmãos Adolf e Justus Lieser eram industriais destacados do Império Austro-Húngaro. Os catálogos da obra de Klimt afirmam que Adolf contratou o artista para pintar sua filha adolescente Margarethe Constance. No entanto, uma nova investigação da casa de leilões sugere que a esposa de Justus, Lilly, o contratou para pintar uma de suas duas filhas.
O comunicado divulgado no site da leiloeira revela que a mulher retratada, seja ela quem for, visitou o ateliê de Klimt nove vezes em abril e maio de 1917. Ela fez pelo menos 25 estudos preliminares e provavelmente começou a ser retratada em maio daquele ano.
“O pintor escolheu um retrato de três quartos para sua representação e mostra a jovem em pose estritamente frontal, perto do primeiro plano, sobre um fundo vermelho e indefinido. Nos ombros ela usa uma capa suntuosamente decorada com flores”, disse a casa de leilões. “As cores intensas da pintura e a mudança para pinceladas soltas e abertas mostram Klimt no seu auge.”
Quando o artista morreu vítima de acidente vascular cerebral, em fevereiro do ano seguinte, a pintura ainda estava em seu ateliê, com algumas pequenas partes inacabadas. E a obra foi dada à família Lieser.
Seu destino exato depois de 1925 não está claro, afirma a casa de leilões. “O que se sabe é que foi adquirido por um antecessor legal do expedidor na década de 1960 e passado ao atual proprietário através de três heranças sucessivas”, afirma o comunicado.
A pintura será vendida em nome dos seus proprietários austríacos, cujos nomes não foram identificados, juntamente com os sucessores legais de “Adolf e Henriette Lieser com base em um acordo com os Princípios de Washington de 1998”, informou a casa leiloeira.
Estabelecidos em 1998, os Princípios de Washington cobravam das nações participantes a devolução de obras de arte confiscadas pelos nazistas aos seus legítimos proprietários.
Claudia Mörth-Gasser, especialista em arte moderna da im Kinsky, explicou a situação num e-mail à CNN.
A leiloeira verificou a história e a procedência da pintura “de todas as maneiras possíveis na Áustria” e detalhou: “Verificamos todos os arquivos e não encontramos nenhuma evidência de que a pintura tenha sido exportada para fora da Áustria, confiscada ou saqueada”.
Mas, da mesma forma, acrescentou: “Não temos provas de que a pintura nunca tenha sido saqueada no período entre 1938 e 1945”.
E é por isso que "chegamos a um acordo entre o atual proprietário e todos os descendentes da família Lieser, de acordo com os 'Princípios de Washington'", disse Mörth-Gasser.
Os retratos de mulheres feitos por Klimt “raramente são oferecidos em leilão”, afirma o comunicado de imprensa. E continua: “Há décadas que uma pintura de tal raridade, significado artístico e valor não está disponível no mercado de arte da Europa Central."
A pintura fará uma turnê internacional antes do leilão de 24 de abril, com paradas na Suíça, Alemanha, Grã-Bretanha e Hong Kong.
O último retrato de Klimt se tornou a obra de arte mais cara já vendida em um leilão europeu, quando foi arrematado por impressionantes £ 85,3 milhões (R$ 530 mi, aproximadamente) em Londres no ano passado.
"Dame mit Fächer", que retrata uma mulher não identificada, também estabeleceu um novo recorde para Klimt, superando "Birch Forest", que foi vendido por R$ 510 mi em um leilão na coleção do falecido cofundador da Microsoft Paul G. Allen, em 2022.



