Primeiro dia de desfiles do grupo especial lota Marquês de Sapucaí

Mais de 70 mil pessoas acompanharam a passagem de seis escolas pelo Sambódromo

Integrantes da Escola de Samba Unidos do Viradouro durante apresentação no desfile do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro na avenida Marques de Sapucaí, Sambódromo do Rio de Janeiro
Integrantes da Escola de Samba Unidos do Viradouro durante apresentação no desfile do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro na avenida Marques de Sapucaí, Sambódromo do Rio de Janeiro THIAGO RIBEIRO/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Rachel Amorimda CNN

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Uma multidão tomou conta da Marquês de Sapucaí na sexta-feira (22) para acompanhar o primeiro dia de desfiles do grupo especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

Mais de 70 mil pessoas estiveram no Sambódromo, que ficou paralisado por dois anos devido à pandemia da Covid-19. Nas arquibancadas, frisas e camarotes, o público vibrou com a passagem das agremiações.

A primeira escola a desfilar na Passarela do Samba foi a Imperatriz Leopoldinense, que homenageou Arlindo Rodrigues. Ele se lançou como carnavalesco e criador de enredos depois de trabalhar como figurinista.

Na Avenida, a Imperatriz mostrou o estilo rebuscado e barroco de Rodrigues, que morreu em 1987, mas muitas das suas criações ainda estão presentes no Carnaval carioca.

Depois, foi a vez da Estação Primeira de Mangueira levantar o público na Marquês de Sapucaí. A escola honrou na avenida três ícones da verde e rosa: o compositor Cartola, o intérprete Jamelão e o mestre-sala Delegado.

A ideia do enredo surgiu durante a pandemia por conta da saudade da agremiação e do convívio com a comunidade. Para a rainha de bateria, Evelyn Nascimento, foi um desfile baseado na emoção: “Estou emocionada. Nunca imaginei ser rainha e homenagear Cartola, Jamelão e Delegado”.

Um dos destaques da Mangueira foi a comissão de frente, com uma troca rápida de figurino que encantou os presentes na avenida.

Terceira escola a passar pelo Sambódromo, o Salgueiro mostrou diferentes histórias de resistência dentro do Rio de Janeiro e nas cidades vizinhas. O destaque foi a luta do povo preto contra o racismo e pela preservação da história e religiosidade. A atriz e modelo, Viviane Araújo, grávida do primeiro filho, comandou a bateria Furiosa.

A São Clemente homenageou o humorista Paulo Gustavo, que morreu no ano passado após complicações da Covid 19. A passagem pelo Sambódromo foi marcada pela irreverência. A escola mostrou na avenida uma chegada nada convencional do humorista ao céu, com drag queens vestidas de anjos.

Artistas, colegas e familiares de Paulo Gustavo participaram do desfile, incluindo a mãe do artista e o viúvo.

O penúltimo desfile na Marquês de Sapucaí ficou por conta da Viradouro. A escola de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, fez um paralelo com o que o Brasil vive hoje pela pandemia.

A Viradouro mostrou durante o desfile o sentimento do Carnaval após a passagem da Gripe Espanhola pelo país, em 1919, e fez um paralelo com os dias atuais e a volta da festividade após dois anos. A escola é a atual campeã do carnaval no Rio.

A Beija-Flor de Nilópolis encerrou o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro. Com o enredo “Empretecer o Pensamento”, a escola mostrou na avenida a luta contra o racismo. A escola levou para a Sapucaí toda a contribuição intelectual do negro para a construção de um Brasil mais africano.

Além das bossas da bateria, um dos destaques do desfile da Beija-Flor foi a comissão de frente, que protestou contra o apagamento dos negros.

Carnaval com números grandiosos

Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), cerca de 24 mil pessoas desfilaram na Marquês de Sapucaí no primeiro dia. Cada agremiação teve, no mínimo, 60 minutos para se apresentar e, no máximo, 70 minutos.

Entre os quesitos obrigatórios, as escolas precisaram de no mínimo 200 ritmistas na bateria, 60 baianas e de quatro e seis alegorias.

Os jurados, 45 ao todo, ficaram distribuídos pela Marquês de Sapucaí para avaliar com rigor nove quesitos:

  • Bateria;
  • Samba-enredo (letra e melodia);
  • Harmonia (entrosamento entre ritmo e canto);
  • Evolução (se a progressão da dança acontece de acordo com o ritmo do samba e com a cadência da bateria);
  • Enredo (criação e apresentação artística de um tema ou conceito);
  • Alegorias e adereços;
  • Fantasias;
  • Comissão de frente;
  • Mestre-sala e porta bandeira;

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