Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    #CNNPop

    Robert De Niro reclama de censura ao discursar contra Trump em premiação

    Premiado no Gotham Awards na noite desta segunda-feira (27), o ator ficou irritado ao perceber que sua fala não estava no teleprompter

    Robert De Niro diz que sofreu censura no Gotham Awards
    Robert De Niro diz que sofreu censura no Gotham Awards Mike Coppola/Getty Images for 2023 Tribeca Festival

    Nicoly Bastosda CNN

    São Paulo

    O ator Robert De Niro afirmou que foi censurado em seu discurso na premiação do Gotham Awards, realizada na noite de segunda-feira (27). Ao participar da entrega de um prêmio especial para o filme “Assassinos da Lua das Flores”, do qual faz parte do elenco, o astro do cinema pretendia ler um texto com críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

    O Gotham Awards, que costuma premiar produções independentes, reconheceu o desempenho do ator em seu papel como William Hale, um dos protagonistas do novo filme dirigido por Martin Scorsese. Ao subir no palco para receber o prêmio, De Niro notou um “problema” no teleprompter em que leria o discurso. O ator, então, pegou o celular para ler todo o texto na íntegra — e não poupou palavras ao dizer que o texto foi cortado de propósito.

    “A história não é mais história. A verdade não é verdade. Até os fatos estão sendo substituídos por fatos alternativos e impulsionados por teorias da conspiração e pela mentira. Na Flórida, os jovens estudantes aprendem que os escravizados desenvolveram habilidades que poderiam ser aplicadas em seu benefício pessoal”, disse o ator, no discurso.

    Este trecho foi uma referência às mudanças do novo currículo na Flórida para o ensino sobre a história da escravidão nos Estados Unidos, que despertou polêmica ao ser lançado no início deste ano.

    “A indústria do entretenimento não está imune a esta doença purulenta. O Duke, John Wayne, disse a famosa frase sobre os nativos americanos: ‘Não creio que tenhamos feito mal ao tirar deles este grande país. Havia um grande número de pessoas que precisavam de novas terras, e os índios tentavam egoisticamente mantê-las para si’”, continuou De Niro.

    Em seguida, o ator dirigiu suas críticas a Trump, sem citar o nome dele.

    “A mentira tornou-se apenas mais uma ferramenta no arsenal dos charlatões. O ex-presidente (Trump) mentiu mais de 30 mil vezes durante os seus quatro anos de mandato. E ele está mantendo o ritmo em sua atual campanha eleitoral. Mas, com todas as suas mentiras, ele não consegue esconder sua alma. Ele ataca os fracos, destrói os bens da natureza e mostra desrespeito, por exemplo, usando ‘Pocahontas’ como um xingamento”, prosseguiu.

    Por fim, De Niro se recusou a agradecer a Apple, produtora do filme, ou qualquer um dos organizadores da premiação, dizendo que não se sentia confortável em demonstrar gratidão a quem cortou seu texto. “Como ousam fazer isso?”, finalizou.

    “Assassino da Lua das Flores” estreou nos cinemas em 19 de outubro e retrata o extermínio da população Osage nos Estados Unidos, durante a década de 1920. O filme busca trazer os assassinos e suas motivações à tona.

    Assista ao discurso completo de Robert De Niro: