Santos Bravos: “O mundo tá olhando mais pra gente”, diz membro brasileiro

Grupo latino veio ao Brasil pela primeira vez para uma apresentação única em São Paulo e conversou com a CNN sobre Kpop, comida brasileira e próximos passos da carreira

Ana Julia Bertolaccini, da CNN Brasil*, Isabela Gadelha, da CNN Brasil
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O grupo latino Santos Bravos, agenciado pela HYBE — empresa responsável por grandes grupos de K-pop como o BTS, TXT e Seventeen —, veio ao Brasil pela primeira vez para uma apresentação única na Casa Rockambole, em São Paulo. Em entrevista à CNN, o membro brasileiro, Kauê, ressaltou a visibilidade que o Brasil tem ganhado mundo afora e disse acreditar que a boyband "foi a escolha certa, no momento certo".

"Acho que o mundo tá olhando mais pra gente, não só para os brasileiros, mas para os latinos como um todo. É como o Bad Bunny disse: agora todo mundo quer ser latino", afirmou o idol durante a conversa. O grupo viralizou nas redes sociais com o single "Velocidade" do EP de estreia, "DUAL".  A canção, em português, viralizou nas redes sociais pela letra, que tem uma frase inusitada:  "Quando o bumbum bate, rebola, sacode a pipoca, não gosto de minhoca".

Apesar de dividir opiniões na internet, a boyband esgotou os ingressos de seu primeiro show no Brasil.  A letra de "Velocidade" estava na ponta da língua do público brasileiro e foi bem recebida em outros países da turnê, como no México. "Foi muito incrível ver os vídeos e ver que eles estavam todos cantando 'Velocidade' em português, até melhor do que eu, que falo português", afirmou Kauê.

Em abril deste ano, os integrantes do Santos Bravos ganharam destaque na mídia sul-coreana ao realizarem uma apresentação no programa "Its Live", em que grandes nomes do K-pop já se apresentaram antes. "Nós aprendemos muito com eles, com os coreanos em geral, com a cultura, a organização, a disciplina. Eu acho que foi, com certeza, um antes e depois na nossa carreira", disse Alejandro sobre a passagem do grupo pela Coreia do Sul.

O quinteto é formado por Drew Venegas (EUA/México), Alejandro Aramburú (Peru), Gabi Bermúdez (Porto Rico), Kenneth Lavill (México) e Kauê Penna (Brasil). O grupo nasceu por meio de um reality show exibido no YouTube, produzido pela HYBE Latin America, que acompanhou o processo de seleção e treinamento dos 17 participantes vindos de países como México, Brasil, Colômbia, Argentina, Peru, Espanha, Venezuela e Estados Unidos.

Em novembro, o Santos Bravos subiu ao palco pela primeira vez em um show gratuito no Auditório Nacional do México, marcando oficialmente sua estreia diante do público.

Confira a entrevista completa:

Começando pelo Kauê, que aspectos da cultura brasileira vocês estão mais animados para compartilhar com o resto do grupo?

Kauê: Eu tenho muita coisa para mostrar, sabe? Eu acho que também não vou conseguir mostrar tudo só nessa viagem agora. Eles estão apaixonados pela comida brasileira. Estou tentando mostrar o máximo que eu posso, mas tentando respeitar um pouco eles também e dar um tempo, porque tem muita coisa doce, mas também tem muita coisa salgada. Às vezes eles querem comer uma coisa ou outra, fruta, legumes… porque a gente tem muita variedade. Mas, mais do que isso, acho que eu quero mostrar muito o que se faz de música em cada lugar diferente, sabe? Eu converso muito com eles sobre a diferença entre o funk carioca e o funk paulista, por exemplo. Mas também tem o funk do Nordeste, tem o sertanejo. Acho incrível esses lugares onde a música brasileira pode chegar. E algum dia a gente pode usar qualquer uma dessas coisas na nossa música. E isso seria legal, sabe? Mas, primeiro, eles têm que conhecer um pouquinho mais. Então estou tentando mostrar de pouquinho em pouquinho para também não assustar eles.

Vocês finalmente estão no Brasil! Qual foi a primeira impressão do país até agora?

Gabi: Minha primeira impressão é a energia que as pessoas têm aqui no Brasil. Essa foi a minha primeira impressão. Elas têm uma energia tão boa. Como eu disse em uma entrevista anterior, você pode estar em um ambiente tranquilo, todo mundo mais pra baixo ou qualquer coisa, e um brasileiro entra e ilumina a sala. E, obviamente, a comida, a picanha... É tudo ótimo.

Kenneth: No momento em que chegamos, eu lembro que falei para o Kauê: “Me diz, por favor, um restaurante, porque eu preciso comer picanha, eu preciso comer farofa e brigadeiro”. Eu amo a comida brasileira. Tudo aqui é incrível, as pessoas são incríveis. Estamos passando momentos ótimos e estamos super animados para o show. Vamos dar tudo no show e queremos ver o DUAL se divertindo muito. Então vamos dar tudo no palco.

Qual é a sua comida brasileira favorita?

Kenneth: Até agora, eu acho que… eu amo brigadeiro, mas... a picanha é incrível. Então eu tenho que escolher a picanha.

Vocês recentemente passaram um tempo na Coreia, promovendo as músicas e apresentando na TV local. Foi incrível ver vocês lá. Qual foi a experiência mais surreal que vocês tiveram lá?

Alejandro: Eu acho que conhecer e colaborar com tantos ídolos e artistas do K-pop. Eu acho que todos são tão dedicados e talentosos. E nós aprendemos muito com eles, com os coreanos em geral, com a cultura, a organização, a disciplina. Eu acho que foi, com certeza, um antes e depois na nossa carreira, essa viagem para a Coreia. Foi quase um mês em que nós estávamos fazendo shows, promovendo, aprendendo coreano. E eu acho que é muito importante ir para qualquer lugar e experimentar a cultura, aprender com a cultura. E eu acho que nós fizemos isso e levamos muito disso conosco.

Drew: Nós conseguimos performar para a família HYBE, toda a equipe da HYBE. Então foi muito, muito legal retribuir de alguma forma. E, se pudéssemos dar um abraço verbal, esse foi o nosso jeito de agradecer tudo o que eles fizeram por nós.

Vocês todos foram inspirados por artistas que adoram. Então, agora que vocês são artistas juntos, como grupo, o que vocês entendem sobre a jornada deles que vocês não percebiam quando eram fãs?

Drew: Eu acho que eu nunca percebi... Vocês provavelmente concordam... eu nunca percebi o impacto que nós podemos ter em uma pessoa. E que nós podemos impactar não apenas pessoas do nosso país, mas do mundo inteiro. E não importa de onde elas vêm, elas podem se identificar conosco. E cada coisa que fazemos impacta essas pessoas da melhor forma possível. E nós podemos mudar vidas. Eu acho que isso é uma coisa linda.

Kenneth: Eu concordo. Para mim, é que, na perspectiva de fã, você não sabe o quanto precisa sacrificar para conseguir algo. Eu não sei como explicar isso. Você tem que sacrificar muitas coisas para ser um artista. Talvez você tenha que ficar longe da sua família. Ou talvez você não fique tão perto dos seus amigos. Ou deixe de fazer certas coisas. Mas é tudo por causa dos seus sonhos. É tudo porque você está disposto a sacrificar tudo, porque ama aquilo. E isso é muito especial. Mas é algo que talvez os fãs não saibam sobre ser um artista.
E isso é algo muito importante.

O funk brasileiro está crescendo massivamente. E, como um grupo que mistura a metodologia do K-pop com a identidade latina, o que fez vocês escolherem um funk brasileiro como “Velocidade” como o single do EP de estreia?

Kauê: Acho que foi a escolha certa no momento certo. Acho que o mundo tá olhando mais pra gente, não só como brasileiros, mas para os latinos como um todo. É como o Bad Bunny disse: agora todo mundo quer ser latino. Isso está acontecendo e vemos isso em todos os lugares. Então olhamos para tudo isso e pensamos que não há nada melhor do que nós, cinco latinos, fazermos uma música em português para não só fazer com que as pessoas que falam espanhol cantem as nossas músicas em português, mas também que as pessoas que falam português cantem as nossas músicas em espanhol. Para nós é muito importante que cada pessoa do nosso fandom saiba cantar as nossas músicas, sabe? Então, por exemplo, se a gente vai para a Colômbia, onde falam espanhol, eles vão cantar as nossas músicas em espanhol, mas também podem cantar as nossas músicas em português. A gente fala muito sobre o que aconteceu no Peru em relação ao aeroporto, porque tinha muitas pessoas esperando pela gente. E, cara, foi muito incrível ver os vídeos e ver que eles estavam todos cantando “Velocidade” em português, até melhor do que eu, que falo português. E isso é algo que a gente quer expandir ainda mais, não só fazer o português chegar aos países que não falam a língua, mas também trazer mais o espanhol pra cá e fazer todo mundo cantar um pouco mais, para a gente ficar mais próximo, trazer essa proximidade que a gente precisa, sabe?

Seis meses atrás, Santos Bravos estava apenas começando, e agora vocês promoveram na Coreia, lançaram um EP e se conectaram com fãs do mundo todo. Qual é um sonho que de repente parece possível para o próximo capítulo da jornada de vocês?

Gabi: Eu acho — e nós deixamos isso claro em muitas entrevistas — que um sonho que temos é performar no maior espaço de cada um dos nossos países. Para mim, é o Choliseo.

Kenneth: O Estádio GNP, no México, ou o Estádio Azteca.

Kauê: Maracanã.

Alejandro: O Estádio Nacional.

Drew: O Rose Bowl, em Los Angeles.

Gabi: Então esse é um grande sonho que nós temos e nós vamos alcançá-lo. Eu estou manifestando isso.

Drew: E também, definitivamente, mais música. Mais álbuns no futuro e tudo mais. Mas, além disso, eu acho que nós também queremos fazer mais festivais, grandes festivais.

Kenneth: Coachella.

Drew: Coachella, Lollapalooza, Rock in Rio. Nós queremos tentar alcançar cada palco que pudermos, um palco após o outro. Mas, claro, colocando mais trabalho e desenvolvendo novos sons para o grupo, descobrindo novas versões de nós mesmos, com certeza.

Kenneth: E talvez um dia nós possamos estar no Grammy. Quem sabe? Mas isso vai acontecer apenas com trabalho duro, paixão e disciplina. Então nós temos que manter o foco e continuar nos empenhando.

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