Pelé: “o racismo não mudou, o que mudou foi a imprensa"


Da CNN Brasil, em São Paulo
17 de março de 2020 às 23:40 | Atualizado 18 de março de 2020 às 03:31
Pelé em entrevista para o Realidade CNN

Pelé em entrevista para o Realidade CNN

Foto: CNN Brasil

Mais de 40 anos após seu último jogo como profissional, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé considera que pouca coisa mudou no racismo dentro do futebol. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, o ex-jogador avaliou que hoje os casos são mais conhecidos pela cobertura da imprensa, mas relata ter sido alvo de ofensas raciais em diferentes situações ao longo da carreira.

“Acho que hoje não mudou muito [o racismo no futebol]. A única coisa que deve ter mudado acho que foi a imprensa. Um jogador falava uma besteira para outro, era para a gente. Quando ia jogar na Europa acontecia muitas vezes. Jogando aqui contra argentinos, chamavam a gente de macaco, de chimpanzé e crioulos. Veja se saiu algum escândalo”, disse o ex-jogador.

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Segundo Pelé, alguns torcedores que o hostilizavam terminavam as partidas aplaudindo: “a seleção brasileira ou o Santos iam bem e aí o pessoal aplaudia no final. É uma coisa de momento. Não me machucava quando a gente jogava na Europa, América Latina, e falavam: ‘crioulo’, ‘filho daquilo’... isso não me machucava.”

“O Santos ou a seleção brasileira iam lá e dava uma tristeza para ele [o torcedor], eu entendia isso. É diferente de um racismo fora desse conceito. Graças a Deus eu tenho as portas abertas no mundo todo”, opinou o ex-atleta.

Em conversa com Reinaldo Gottino, o “Rei do Futebol” relembrou seu início no esporte e o time de coração na infância, além de traçar um panorama de toda a carreira e comparar o futebol do passado com o atual — inclusive opinando sobre a força do Flamengo de Jorge Jesus. Pelé falou, ainda, sobre os rumores de que enfrenta uma depressão, sua passagem pela política e revelou alguns de seus ídolos.