Perícia do Flamengo comprova ofensas racistas contra Gabigol, diz procurador do TJD

O tribunal convocou o jogador para prestar depoimento na próxima sexta-feira (18)

Atacante Gabigol, do Flamengo, foi alvo de ofensas racistas ao deixar o gramado após clássico contra o Fluminense no dia 6 de fevereiro
Atacante Gabigol, do Flamengo, foi alvo de ofensas racistas ao deixar o gramado após clássico contra o Fluminense no dia 6 de fevereiro Foto: Alexandre Neto/Photopress/Estadão Conteúdo

Elis BarretoHelena VieiraThayana Araújoda CNN*

Rio de Janeiro

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O Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD/RJ) convocou o atleta do Flamengo Gabriel Barbosa para depor no inquérito que investiga os supostos ataques racistas ao jogador. Gabriel terá que se apresentar presencial ou virtualmente na próxima sexta-feira (18), às 15h.

A decisão do auditor do tribunal designado para apurar o caso, Rafael Fernandes Lira, veio após o Flamengo anexar um laudo pericial próprio que analisou o vídeo que evidenciava o crime. O procurador-geral do TJD, André Valentim, informou à CNN que o resultado da perícia da imagem constatou que o jogador foi chamado de “macaco” por torcedores do Fluminense enquanto deixava o campo em direção ao vestiário.

O caso aconteceu no dia 6 de fevereiro, durante uma partida realizada no estádio Nilton Santos (Engenhão), pelo Campeonato Carioca. A abertura de inquérito se deu após o Fluminense apresentar uma Notícia de Infração ao TJD. O clube pediu que o órgão investigasse o caso formalmente, alegando seu engajamento na “repressão às ofensas verbais e físicas de qualquer natureza”.

O Fluminense ainda solicitou ao tribunal que oficiasse a administração do Engenhão para que fossem fornecidas as imagens do circuito interno de segurança da data do jogo, possibilitando a apuração da “existência ou não de infração disciplinar desportiva”.

O inquérito foi instaurado no TJD no último dia 8, pela presidente do tribunal, Renata Mansur Fernandes Bacelar. No dia seguinte, foi encaminhado ao tribunal o laudo do Flamengo, elaborado por Ricardo Molina, que é perito fonético forense. O processo será concluído em até 30 dias.

Gabigol não fez registro de ocorrência na polícia, mas, na ocasião, se manifestou em suas redes sociais.

“Até quando? Até quando isso vai acontecer sem punição? Jamais vou me calar, é inadmissível que passemos por isso!! Orgulho da minha raça, orgulho da minha cor!! #RacismoNão”, disse o atleta em uma publicação no Twitter.

*Com informações de Iuri Corsini

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