Quem foi Diego Maradona? Relembre biografia do ídolo, dos títulos às polêmicas

“La mano de Dios”, um gol histórico o em sua carreira, marcou para sempre a trajetória do atleta argentino, que morreu aos 60 anos nesta quarta-feira (25)

Diego Maradona é carregado nos braços pela torcida após vitória da Argentina na Copa de 1986
Diego Maradona é carregado nos braços pela torcida após vitória da Argentina na Copa de 1986 Foto: Equipe AE/Estadão Conteúdo (29.jun.1986)

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Ícone dentro e fora dos campos, o jogador argentino Diego Maradona conquistou o status de ídolo mundial no futebol e consolidou-se como um atleta irreverente e audacioso.

“La mano de Dios”, um gol histórico o em sua carreira, marcou para sempre a trajetória do atleta argentino entre vitórias e artimanhas. Maradona morreu nesta quarta-feira (25), aos 60 anos, após uma parada cardiorrespiratória, deixando todos os amantes do futebol em luto. 

Relembre a trajetória do ídolo.

Infância

Da infância humilde na periferia de Buenos Aires, Maradona, ainda adolescente, começou a destacar-se por sua habilidade no futebol. Seu primeiro clube, o Argentinos Juniors, contratou o atleta com apenas 15 anos, sem imaginar que se tornaria o maior ídolo nacional nos anos seguintes. 

Devido à sua atuação brilhante pelo Argentinos Juniors, aos 17 anos, Maradona foi convocado pela primeira vez a integrar o time da seleção argentina, ano em que o país sediou o Mundial. Maradona chegou a participar do amistoso contra a Hungria, em 1978, mas foi cortado pelo técnico e acabou não participando do Mundial. 

O ano de 1978 não marca apenas o corte na seleção, mas também quando ele se tornou pela primeira vez o artilheiro do campeonato argentino, feito que se repetiu ainda em 1979 e 1980.

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Boca Juniors

Já consolidado como um ícone para os torcedores argentinos, em 1981 o atleta integra o gigante Boca Juniors, e transforma o estádio “La Bombonera” em um palco para dribles, roubadas de bola e gols inesquecíveis.

Com o clube, tornou-se campeão argentino naquele ano.  Apesar de sua passagem curta, Diego Maradona fez história no maior time argentino e conquistou para sempre o coração dos apaixonados por futebol. 

Já em 1982, vivendo seu auge, ele foi vendido ao Barcelona, em uma transferência milionária: U$ 8 milhões. 

 

Barcelona

O futebol exuberante de Diego chamou a atenção do Barcelona, que o comprou antes do Mundial da Espanha. Na Copa, no entanto, sua participação foi marcada pela derrota para o Brasil de Zico, Falcão e Sócrates. Naquele jogo, Maradona saiu expulso. 

Suas temporadas no futebol espanhol não são marcadas pelos títulos, pois, sofrera lesões, contraiu hepatite, se envolveu em brigas no clube e vivia uma vida de festas. Foi quando começou a enfrentar o maior inimigo, que o afetara dentro e fora dos campos: as drogas. 

Em 1984, Maradona deixou o Barcelona. 

Napoli

Na Itália, Maradona torna-se um ídolo aclamado defendendo a camisa do Napoli, clube que ingressou aos 24 anos. O argentino, foi recepcionado por mais de 70 mil torcedores fanáticos, que iriam testemunhar grandes lances e títulos no auge do tradicional futebol italiano. 

Maradona trouxe o orgulho, para um clube considerado na época de uma região menos privilegiada. 

Na temporada de 1986/1987 Maradona conquista ao Napoli o primeiro título da Série A, contra a Juventus. Na mesma temporada, o clube também se torna campeão da Copa da Itália. Já na temporada seguinte, o argentino torna-se artilheiro do campeonato italiano, com 15 gols marcados. O vice-artilheiro, o brasileiro Careca, forma a dupla ofensiva com o ídolo argentino. 

Ele ainda venceria a Copa da Uefa e outro título italiano. Gols, dribles e passes geniais, muitas vezes impossíveis, o tornaram quase uma religião em Napoli. 

Doping 

Sua brilhante trajetória no Napoli foi interrompida em 1991, após um exame antidoping que confirmou a presença de droga e, causou uma suspensão de 15 meses para o jogador. 

A partir de então, sua carreira como jogador passou a entrar em declínio. Após a suspensão, Maradona foi preso por porte e consumo de cocaína. Chegou a ser preso, mas foi liberado após pagamento de fiança. 

Retornou ao esporte em 1992, desta vez atuando pelo Sevilla, em uma curta passagem pelo clube.

Na icônica Copa de 1994, Maradona exibia uma ótima fase, com direito aos habituais golaços. Entretanto, foi sujeito ao doping novamente, onde foi constatado o uso de ederfina, um remédio para emagrecer. A seleção argentina acabou sendo eliminada — e o Brasil sagrou-se tetracampeão. 

A mão de Deus 

“La mano de Dios” foi um lance histórico na carreira do jogador argentino, uma jogada polêmica que marcaria para sempre sua trajetória como atleta. 

O lance foi em 1986, em um jogo da Seleção Argentina contra a Inglaterra, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo, que era sediada no México. 

Aos seis minutos do segundo tempo, no Estádio Azteca, o zagueiro oponente Steve Hodge tentou afastar a bola chutando para o alto, mas foi para dentro da área, onde Maradona, com o punho cerrado, pulou e lançou a bola por cima do adversário. O árbitro validou o gol, revoltando o time inglês e milhões de torcedores. 

 “Lo marqué un poco con la cabeza y un poco con la mano de Dios”, afirmou o polêmico jogador, após a partida, dizendo que marcou o gol um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus. 

Imagem de arquivo de Maradona com a camisa da Argentina, em 18 de junho de 1990
Imagem de arquivo de Maradona com a camisa da Argentina, em 18 de junho de 1990
Foto: David Jacobs/Reuters

 

Títulos 

Diego Maradona conquistou, no decorrer de sua brilhante trajetória esportiva, diversos títulos, coletivos e individuais. Entre os mais importantes, destaque para a Copa do Mundo 1986 com a Seleção Argentina, a Copa Uefa com o Napoli, em 1989, a artilharia dos campeonatos argentinos, de 1978 a 1980, além da artilharia no campeonato italiano, jogando pelo Napoli, em 1988. 

Foi Bola de Ouro da Fifa em 1986, All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA em 1986 e 1990. E, melhor jogador do mundo eleito pela World Soccer, em 1986. 

Após o mundial de 1994, Maradona voltou para o Boca, onde encerraria a carreira. Em sua despedida do futebol, diante de uma Bombonera lotada, fez um discurso histórico, quando, às lágrimas, reconheceu os deslizes que prejudicaram sua carreira. 

“Eu me equivoquei. Me equivoquei e paguei pelos meus erros. Mas a bola não se mancha”

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