Copa 2027: TCU vê riscos e "falta de coordenação" em organização do Brasil

Documento assinado pelo ministro Jhonatan de Jesus coloca elaboração de protocolos de governança, antirracismo e assédio como prioridades

Da CNN Brasil
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Em meio as empasses entre Fifa e governos locais para a realização dos jogos da Copa do Mundo Feminina 2027 no Brasil, o Tribunal de Contas da União (TCU) elaborou um levantamento apontando possíveis riscos do evento no país.

Essa será a primeira vez que o Mundial será realizado no Brasil. O calendário prevê que a disputa aconteça entre os dias 24 de junho e 25 de julho em oito estádios - Maracanã, Arena Fonte Nova, Neo Química Arena, Castelão, Arena Pernambuco, Estádio Mané Garrincha e Beira-Rio.

Nas últimas semanas, conforme as primeiras questões entre a Fifa e as sedes apareciam, o TCU divulgou um longo levantamento sobre os riscos da realização do evento no país. No diagnóstico, o órgão cita temas como a ausência de protocolos contra assédio e racismo e a fragilidade do planejamento de legado social e esportivo do torneio.

O ministro Jhonatan de Jesus aponta que há necessidade de uma coordenação clara entre o poder público, estados, municípios, organizadores e operadores privados para que o evento tenha sucesso.

O que pede o TCU

O TCU determinou que o Ministério do Esporte elabore um Plano Nacional de Legado da Copa do Mundo Feminina com metas, fontes de financiamento e mecanismos permanentes de acompanhamento em até 180 dias.

O enfrentamento de assédio e acolhimento de vítimas dentro dos estádios nas competições são um ponto de atenção no relatório do TCU.

"As chamadas Salas Lilás - espaços de acolhimento para mulheres vítimas de violência ou assédio em grandes eventos - ainda não existem de forma padronizada nas arenas brasileiras, inclusive em sedes da própria Copa Feminina. O tema é debatido há uma década mas teve sua primeira sala inaugurada oficialmente apenas em 2024 e permanece tratado de maneira desigual entre os estádios", reforçou o relator.

"O Brasil tem uma oportunidade histórica de transformar a Copa Feminina em um legado efetivo para o esporte, para a inclusão e para a proteção das mulheres. O papel do controle externo é justamente contribuir para que os compromissos assumidos saiam do discurso e se convertam em planejamento, governança e políticas públicas permanentes", completou o ministro.

TCU quer "atuar preventivamente"

O Tribunal deixou claro no documento que quer "atuar preventivamente" na fiscalização da organização do torneio, a fim de evitar os problemas de legado e orçamentários ocorridos em 2014, na Copa do Mundo, e 2016, nos Jogos Olímpicos.

"A experiência brasileira em eventos anteriores — como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 — demonstra que o início antecipado das ações de planejamento é determinante para a mitigação de riscos operacionais, financeiros e reputacionais", pontua, citando "governança fragmentada", "inexistência de plano de ações e calendário operacional, incluindo eventos-teste, indefinição de responsáveis" que podem resultar em "atrasos em cronogramas críticos".

Problemas em Brasília

A Fifa e a Arena BSB, que administra o estádio Mané Garrincha, vivem uma tensão quanto às exigências para a Copa do Mundo 2027.

No último dia 24, a diretora-executiva de futebol da entidade, Jill Ellis, enviou uma carta argumentando que o estádio não estava dando as garantias de que os problemas encontrados na vistoria seriam sanados, sob o risco de excluir o estádio da programação.

A principal disputa diz respeito ao uso de camarotes, onde a entidade exige a disponibilização de todas as instalações, e o estágio argumenta que muitos já foram alugados. Outro ponto que gerou atrito foi a troca do gramado, que deve ser feita até 60 dias antes da Copa. O estádio foi reformado pela última vez em 2014, quando recebeu sete partidas.

Em nota, a Arena BSB afirma que desde a primeira reunião com a Fifa, "manteve um posicionamento claro e coerente de preservação do ecossistema construído nesses últimos anos no seu setor de hospitalidade", acompanhando e atendendo à todas as exigências, mas que houve uma "inflexibilidade mantendo exigência de desmonte de mais de 125 camarotes mobiliados", já contratados antes do local ser escolhido como sede.

"A Arena apresentou proposta que assegura o quantitativo de pessoas solicitado, além de assumir o compromisso de entrega do gramado em até 60 dias antes da primeira partida. A Arena tem todo o interesse em receber a Copa do Mundo 2027 e segue à disposição para encontrar uma solução sustentável, que atenda aos interesses de curto prazo da FIFA, mas preservando os parceiros de longo prazo", completa o texto.

 

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