Técnico pode colocar Haiti na Copa do Mundo mesmo sem pisar no país

Francês, Sébastien Migne comanda a seleção caribenha, que busca primeiro Mundial desde 1974

Mark Gleeson, da Reuters
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O Haiti tem boas chances de garantir a classificação para a Copa do Mundo nesta terça-feira (18), mas a situação no país caribenho, devastado por conflitos, é tão delicada que o técnico da seleção nunca pisou lá.

Gangues armadas tomaram o controle de quase toda a capital haitiana, Porto Príncipe, em um conflito que forçou cerca de 1,3 milhão de pessoas a deixarem suas casas e levou a fome a níveis alarmantes.

O Departamento de Estado dos EUA alerta os viajantes para que evitem visitar o país de 12 milhões de habitantes devido ao risco de sequestros, crimes, atividades terroristas e agitação civil.

Tudo isso significa que o técnico francês do Haiti, Sébastien Migne, de 52 anos, nunca pisou no país desde que foi nomeado, há 18 meses.

“É impossível porque é muito perigoso. Normalmente moro nos países onde trabalho, mas não posso aqui. Não há mais voos internacionais para lá”, disse ele à revista France Football.

Migne se baseou em informações sobre jogadores locais obtidas por telefone com dirigentes da federação haitiana de futebol. “Eles me deram informações e eu gerenciei a equipe remotamente.”

Convencendo jogadores a defender o Haiti

Mas ele também trabalhou duro para adicionar ao elenco jogadores com raízes haitianas vindos de fora. Ele convenceu o ex-jogador da seleção francesa sub-21 Jean-Ricner Bellegarde, o ponta Josué Casimir, do AJ Auxerre, e o ex-zagueiro belga Hannes Delcroix a se comprometerem com a causa.

Todos eles jogaram na crucial vitória por 1 a 0 sobre a Costa Rica na última quinta-feira (13), na penúltima rodada das Eliminatórias da Concacaf.

“Sinto que estou representando minha família”, disse Bellegarde ao site do seu clube, o Wolverhampton Wanderers.

“É um país pequeno, mas agora temos a chance de jogar a Copa do Mundo, então minha família me diz que é um bom momento para jogar pelo Haiti, e eu acho que é uma grande oportunidade para mim.”

Migne espera persuadir o atacante Wilson Isidor, do Sunderland, mas o jogador ainda está indeciso.

“Gostaria de ter como meta ir à Copa do Mundo, sempre será um sonho”, disse Isidor ao jornal esportivo francês L’Equipe.

“Tenho duas opções: França e Haiti. O Haiti já me procurou, mas ainda não tomei uma decisão. No momento, estou focado no meu clube. Na seleção francesa, conheço os jogadores, já joguei com eles e contra eles.”

A seleção haitiana agora é composta inteiramente por jogadores que atuam no exterior, mas ainda enfrenta a desvantagem de ter que sediar seus jogos como mandante em campo neutro. Eles têm usado Curaçao como base, e é lá que receberão a Nicarágua nesta terça-feira.

Última Copa do país foi em 1974

O Haiti se classificará para a Copa do Mundo pela primeira vez desde 1974 se a Costa Rica vencer Honduras. Os hondurenhos lideram o Grupo C empatados em pontos com o Haiti, ambos com oito pontos, dois a mais que a Costa Rica. A Nicarágua já está eliminada.

Migne, que foi auxiliar técnico de Camarões na última Copa do Mundo, no Catar, elogiou frequentemente a atitude de seus jogadores, apesar das dificuldades enfrentadas pelo país.

Seu capitão, o veterano goleiro Johny Placide, disse que a classificação poderia proporcionar aos haitianos, que lutam para se manter no país, uma nova perspectiva.

"Seria um imenso motivo de orgulho para toda a nação. Não apenas para nós, jogadores", disse ele ao Fifa.com nesta segunda-feira (17).

"Para os jovens, seria uma vitrine, uma nova perspectiva. Honestamente, não saberia como descrever, porque ainda não chegamos lá e não quero me precipitar. Neste momento, a dificuldade é não saber se vamos conseguir, mas sabemos que estamos a um passo de distância. Devemos manter a calma e não ter arrependimentos."

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