Líderes italianos da moda fazem apelo por suavização de restrições à indústria


Reuters
16 de abril de 2020 às 21:26
Desfile de Salvatore Ferragamo na Fashion Week de Milão

Desfile de Salvatore Ferragamo na Fashion Week de Milão 

Foto: Alessandro Garofalo/Reuters (22.fev.2020)

Os líderes da moda da Itália pediram nesta quinta-feira (16) que o governo suavize as restrições impostas em reação à crise do novo coronavírus para lhes permitir retomar parte da produção, alertando que um isolamento prolongado poderia causar dano irreparável ao setor.

"A moda é uma indústria sazonal, e certas datas não são comprimíveis. Não reabrir em breve significaria desistir do faturamento de quase um ano", disse Carlo Capasa, presidente da CNMI (Câmara Nacional de Moda da Itália), em uma entrevista ao jornal Corriere della Sera.

As atuais medidas de isolamento da Itália – país com o terceiro maior número de casos confirmados, só atrás de Estados Unidos e Espanha – vigorarão até 3 de maio.

O governo não revelou como e quando começará a amenizar uma proibição de âmbito nacional às atividades comerciais que não são consideradas essenciais.

As fábricas têxteis e de itens de moda de toda a nação fecharam por não se enquadrarem na categoria de negócios essenciais.

Muitas grifes reformularam a produção para fazer produtos como máscaras e macacões descartáveis, e assim atender a demanda crescente durante a emergência.

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Com um faturamento de 95 bilhões de euros e 600 mil trabalhadores, a indústria italiana de moda e têxteis é a segunda mais importante do país. Responde por uma fatia de 41% do setor na Europa, seguida pela Alemanha, que representa 11% do total.

Capasa sugeriu 20 de abril como data para retomar gradualmente as atividades de manufatura para poder produzir as coleções de outono/inverno a tempo para lojas de todo o mundo e para iniciar a produção das coleções primavera/verão.

"Estamos fechados, mas outros países, como França, Espanha, Portugal, Turquia estão começando a reabrir", disse Claudio Marenzi, encarregado de moda do lobby Confindustria, observando que a proibição também teve implicações para a Itália como fornecedora.