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Karolina Gutiez
Marcio Cavalieri

Karolina Gutiez- gerente de Comunicação e Sustentabilidade da Schneider Electric

Marcio Cavalieri- sócio-fundador da RPMA Comunicação

A arte de comunicar resultados de sustentabilidade em tempos de COP

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Sustentabilidade não é discurso, é prova. Prometer é fácil; mostrar resultados é o verdadeiro desafio do ESG. Especialmente em ano de COP no Brasil, organizações são incentivadas a comunicar além das intenções: mais do que slogans ou relatórios bonitos, precisam demonstrar um impacto concreto e coerência entre o que dizem e o que fazem. Trata-se de um exercício que mistura transparência, estratégia e, acima de tudo, honestidade sobre limites e entregas.

É comum que empresas anunciem metas de redução de emissões ou programas sociais. Na prática, vemos que essas declarações muitas vezes não vêm acompanhadas de dados consistentes ou reportes detalhados sobre a evolução. Como efeito, ocorre um fenômeno que poderíamos chamar de “excesso de confiança sustentável”, que nada mais é do que acreditar que a narrativa por si só já garante autoridade sem que haja respaldo autêntico nos processos internos ou nas métricas de eficiência.

Mas a realidade é bastante diferente. Um estudo global da consultoria estratégica Bain & Company mostra que, na opinião de CEOs, o entusiasmo deu lugar ao pragmatismo, com muitas empresas reavaliando, ajustando e, em alguns casos, retirando seus compromissos climáticos. De acordo com a análise da Bain, 36% das empresas estão atrasadas em suas metas de Escopo 1 e 2, e 51% não estão cumprindo suas metas de Escopo 3.

Esses números reforçam a importância de iniciativas que estabeleçam metas claras, como programas de redução de carbono na cadeia de fornecedores durante um período ou projetos de inclusão energética que levam o acesso à eletricidade renovável para comunidades vulneráveis.

Hoje, qualquer equipe de comunicação pode montar uma campanha de ESG com gráficos coloridos e textos bem formulados em poucos minutos, mesmo que ainda não tenha medido o potencial de repercussão, testado soluções ou ajustado estratégias com base em avanços palpáveis. A aparência de ação substitui a ação real. É sedutor, porém perigoso, uma vez que cria a ilusão de progresso e reduz a confiança do público. Isso se reflete em um estudo recente da EY, que indica que 85% dos investidores consideram o greenwashing um problema crescente.

Um fator que reforça essa necessidade de rigor vem da pesquisa IBRI/Deloitte 2025, que aponta que quase metade das corporações menciona como principal desafio a adaptação às normas internacionais de sustentabilidade e clima IFRS S1 e S2, que estabelecem que informes financeiros e de sustentabilidade devem ser integrados, fornecendo uma visão completa da performance das organizações em ESG. Embora 84% das empresas reconheçam influência de média para alta dessas normas, mais de 60% pretendem se adequar somente em 2026 – ano em que a integração será obrigatória.

O verdadeiro desafio está em tornar dados complexos em posicionamentos compreensíveis e relevantes. Comunicar o ESG requer traduzir desempenhos ambientais, sociais e de governança em exemplos tangíveis capazes de engajar colaboradores, parceiros, clientes, acionistas e demais partes interessadas. Quando a comunicação falha nesse ponto, corre-se o risco de que a mensagem se perca entre documentos técnicos e jargões corporativos, e que compromissos genuínos se dissolvam em retórica genérica.

É nesse contexto que a colaboração entre empresas, equipes de comunicação e agências se revela imprescindível. A união de clareza estratégica, rigor nos dados e criatividade na forma de descrever os fatos possibilita moldar uma história que materializa conquistas reais na percepção das pessoas. Essa parceria contribui para assegurar solidez, ampliar o alcance e a visibilidade das iniciativas de ESG e fortalecer a credibilidade perante audiências cada vez mais sensíveis a inconsistências e sinais de greenwashing.

Outro aspecto crucial é a integridade. Falar de inclusão, energias renováveis ou ética corporativa sem que essas práticas estejam integradas na operação diária gera frustração e ceticismo. Não há storytelling que sustente uma reputação construída unicamente no papel. Em tempos de COP, stakeholders estão especialmente atentos a esse desalinhamento. A ausência de transparência pode prejudicar a imagem, bem como ameaçar alianças, investimentos e o próprio legado da organização.

Em nossa experiência com clientes, percebemos que mensurar resultados é, portanto, tão importante quanto anunciá-los. Indicadores claros, auditorias independentes e relatórios acessíveis são ferramentas indispensáveis para sustentar a legitimidade. Eles permitem - além de validar o que foi feito - identificar as falhas, aprender com os erros e ajustar as estratégias. É essa disciplina que converte promessas em transformações tangíveis.

Comunicar não é apenas transmitir boas intenções. É sobre conectar planejamento e prática de modo harmônico. É saber evidenciar, com dados e exemplos, que cada ação provoca uma mudança real. Por que não comunicar também o que não deu tão certo e falar abertamente dos aprendizados ao longo do caminho?

Precisamos, acima de tudo, entender que todo compromisso deve exigir esforço, disciplina e responsabilidade para obter retornos que possam ser comprovados e compartilhados. Na COP do Brasil, não haverá espaço para palavras vazias: quem não apresentar um desenvolvimento tangível vai ficar para trás.

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