AVB vê avanço do aço verde na construção civil e descarta uso de hidrogênio

Empresa afirma que produto de menor emissão ainda não recebe um prêmio de preço, mas amplia o acesso a clientes específicos e linhas de financiamento

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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A CEO da AVB (Aço Verde do Brasil), Silvia Nascimento, afirmou em entrevista à CNN que a empresa começa a perceber um aumento do interesse da construção civil por produtos siderúrgicos de menor emissão de carbono.

Silvia foi a entrevistada desta semana do Mapa da Mina, programa da CNN dedicado aos setores de mineração e siderurgia.

O chamado aço verde é produzido com uma emissão de gases de efeito estufa inferior à dos processos siderúrgicos tradicionais. No caso da AVB, a empresa utiliza carvão vegetal de florestas plantadas em substituição ao carvão mineral, uma das principais fontes de emissão da indústria do aço.

Segundo a executiva, no entanto, o mercado ainda não está consolidado a ponto de pagar mais pelo produto de menor emissão. Atualmente, a principal vantagem estratégica está no acesso a novos clientes e a linhas de financiamento ligadas à descarbonização.

“Hoje, o que você tem com a produção do aço verde é uma vantagem competitiva. É o acesso a clientes que estariam menos interessados em conhecer a empresa e o acesso a financiamentos, muitas vezes ligados a linhas de descarbonização. Pagar por isso ainda não é uma realidade. Acho que vai acontecer, inevitavelmente, mas hoje ainda não enxergamos isso no mercado”, disse.

Silvia afirmou que a construção civil tem demonstrado interesse crescente pelo aço verde, principalmente em projetos que buscam certificações ambientais.

“Estamos começando a ver um interesse maior da área da construção civil, que vem procurando certificar obras e prédios com selos ambientais”, afirmou.

Atualmente, segundo a CEO, a maior parte dos clientes dispostos a adquirir o produto é formada por empresas internacionais ou companhias brasileiras voltadas à exportação. No mercado interno, a procura ainda é mais restrita.

A executiva também descartou, por enquanto, a adoção do hidrogênio verde no processo produtivo da AVB.

Segundo ela, a empresa pretende manter a rota baseada no uso de carvão vegetal, que já permite reduzir de forma significativa as emissões em comparação com a siderurgia tradicional.