Eneva diz estar pronta para atender nova convocação do leilão de capacidade
Empresa afirma que já iniciou preparativos para atender eventual convocação no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, enquanto decisão sobre projetos da EPP ainda aguarda análise da diretoria da Aneel

A Eneva afirmou nesta quinta-feira (13) que está preparada para assumir novos projetos do LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de potência) de 2026 caso a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) confirme a inabilitação dos empreendimentos ligados à EPP (Evolution Power Partners) e convoque os próximos colocados do certame.
Em teleconferência com acionistas e investidores, o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Eneva, Marcelo Habibe, disse que a companhia já começou a tomar as providências necessárias para uma eventual convocação e está preparada para atender tanto o produto com início de suprimento em 2028 quanto o de 2029.
“Se a gente for chamado, estamos preparados para atender esse chamado, tanto para o produto 2028 quanto para o produto 2029”, afirmou Habibe.
A possibilidade de convocação da Eneva surgiu após a CPL (Comissão Permanente de Leilões) da Aneel recomendar a rejeição do recurso administrativo apresentado pela EPP e a manutenção da inabilitação de seis consórcios da ION no leilão. O entendimento ainda precisa ser analisado pela diretoria colegiada da agência e o assunto ainda não foi colocado em pauta.
Habibe ressaltou que ainda não há uma decisão definitiva sobre o caso. Segundo o executivo, um dos possíveis desdobramentos da análise pela Aneel é a invalidação dos contratos dos projetos inabilitados e a convocação dos empreendimentos classificados nas posições seguintes do leilão.
“O assunto ainda não foi levado para a diretoria e não foi decidido. Um dos outputs dessa discussão pode, sim, ser inabilitar os PPAs [contratos] e chamar os segundos, terceiros e quartos colocados que ‘bidaram’ no leilão, e a gente está entre eles”, disse.
A lista elaborada pela CPL inclui quatro projetos que, juntos, possuem 1.773,2 MW de capacidade instalada e 1.454,6 MW de disponibilidade de potência. O volume seria suficiente para substituir integralmente a capacidade retirada com a exclusão dos consórcios da ION.
Entre os empreendimentos que podem ser convocados estão duas usinas da Eneva: Porto Norte Fluminense, com 574,5 MW de disponibilidade, e GDE Pará III, com 216,4 MW. Também aparecem na relação Global V e Jaci I, da Global Participações em Energia.
Os seis consórcios da ION haviam vencido o leilão realizado em março com oito usinas termelétricas que somam quase 1,7 GW de potência, distribuídas entre os produtos com início de suprimento em 2028 e 2029. Posteriormente, os grupos foram inabilitados por não comprovarem o patrimônio líquido mínimo exigido pelo edital.
A EPP recorreu da decisão e argumentou que a comissão adotou uma interpretação excessivamente rigorosa ao desconsiderar o método de equivalência patrimonial utilizado nos balanços das empresas consorciadas. A CPL, porém, concluiu que a metodologia provocou dupla contagem dos mesmos ativos entre empresas do grupo econômico, superavaliando o patrimônio líquido apresentado pelos consórcios.
A comissão também rejeitou a possibilidade de habilitação parcial dos empreendimentos, sob o argumento de que o procedimento não está previsto no edital após a fase de habilitação e poderia ferir o princípio da isonomia entre os participantes.
“No momento, a gente está no aguardo. Vamos esperar a definição. Obviamente, nesse meio-tempo, se preparando e se planejando, porque, se for um chamado para a gente implantar, a gente não pode começar a tomar as providências a partir de agora. Então, a gente já começou a fazer todas as ações necessárias”, afirmou.